Amarante. Peça teatral reflete sobre papel da mulher e envolve comunidade

“A relação da PELE [com Amarante] vem desde 2012, com um projeto comunitário que envolvia algumas pessoas que participam neste espetáculo. Houve depois outro projeto sobre o património imaterial feminino nas pessoas que vivem no Marão. Este espetáculo vem nessa sequência”, contou à Lusa a coprodutora Sara Lapa.

No ensaio final para a estreia agendada para a noite de hoje, de entrada gratuita no Cineteatro Raimundo Magalhães, em Vila Meã, no concelho de Amarante, subiram ao palco cerca de 30 pessoas, incluindo residentes locais, dos 12 aos 85 anos, que foram convidados a participar.

A recolha do espólio etnográfico para este trabalho começou em 2019, em articulação com a autarquia local, recordou.

Sara Lapa destaca a importância, neste projeto, da “interação com parceiros locais”.

“O CLAP [Centro Local de Animação e Promoção Rural] é um interlocutor importantíssimo nesta relação com as gerações mais velhas e o articular do património e tradição”, disse, contando que os ensaios arrancaram no início do ano, envolvendo 50 pessoas no elenco, mais equipa técnica.

Apesar de o espetáculo, de acordo com o programado, percorrer, a partir de outubro, várias localidades, Sara Lapa observou à Lusa “fazer todo o sentido estrear o espetáculo em Amarante”.

“Porque ele nasce destas bravas e destas mulheres que fomos conhecendo ao longo destes anos e das cantigas que elas nos foram ensinando”, afirmou.

A peça conta com dramaturgia de Sara Barros Leitão.

Tondela, Porto, Riba de Ave (Vila Nova de Famalicão) são outros pontos para apresentação, juntando grupos comunitários das respetivas localidades.

“O espetáculo vai sendo moldado a partir da geografia e outros contributos de cada local”, explicou.

“O texto também vai ser adaptado, com os pensamentos e o espólio das outras cidades”, acrescentou à agência Lusa Catarina Carvalho Gomes, encenadora e codiretora artística.

Na cena, numa cozinha, interagem cinco atrizes do elenco principal, refletindo diferentes gerações e visões do papel da mulher na sociedade e no casamento, além de participações pontuais dos elementos da comunidade local.

Do trabalho realizado com as pessoas do CLAP e do grupo comunitário de Amarante, destacou o “foco e a responsabilidade” que todos têm partilhado neste projeto.

“Muita paciência e muita flexibilidade para percebermos que, por vezes, o rigor profissional que exigimos nem sempre é a melhor opção”, admitiu, acrescentando: “É importante que as pessoas sintam prazer no que estão a fazer e se sintam confortáveis, mais do que uma questão de rigor e perfeição”.

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