Associação aplaude reedição de obra de José Afonso

 

Em comunicado, a associação saúda a decisão, anunciada no domingo pela família de José Afonso, de reedição de 11 álbuns do músico, lançados originalmente entre 1968 e 1981 e indisponíveis há vários anos, numa parceria com a editora Lusitanian Music.

A AJA considera que esta decisão vai “ao encontro das numerosas diligências e iniciativas” que tem desenvolvido para que a obra fonográfica de José Afonso seja recuperada e disponibilizada, já que a editora Movieplay, última detentora de contrato de edição, foi declarada insolvente em 2015.

Segundo a família de José Afonso, o projeto de reedição prevê “uma sequência de edições, nos formatos clássicos (CD e vinil) e no ecossistema digital, lançadas sob um novo selo, agora criado pela Lusitanian para divulgar esta obra única no panorama da música nacional e internacional”.

Os 11 discos em causa já haviam sido alvo de reedição pela Orfeu, entre 2012 e 2013, para assinalar os 25 anos da morte do compositor.

Na altura, os 11 álbuns foram restaurados e remasterizados digitalmente pelo engenheiro de som António Pinheiro da Silva, e a edição contava com novos textos que contextualizam o momento em que foram feitos, no percurso de José Afonso.

Em setembro de 2020, a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) anunciou a abertura de um processo de classificação da obra fonográfica de José Afonso por considerar que representa “valor cultural de significado para a Nação”.

De acordo com o anúncio então publicado em Diário da República, foi determinada a abertura do procedimento de classificação de um conjunto de 30 fonogramas da autoria do compositor e intérprete José Afonso, bem como de 18 cópias digitais de ‘masters’ de produção de um conjunto de cassetes gravadas pelo autor e de um conjunto de entrevistas.

Esta foi a primeira vez que a DGPC iniciou um processo de classificação de uma obra fonográfica, revelou o Ministério da Cultura, acrescentando que ajudará a “consolidar informação relativa à obra gravada, publicada ou não, do artista”.

A associação AJA, que em 2020 chegou a reunir mais de 11 mil assinaturas numa petição pública em nome da classificação, sublinha hoje que deve ser “dada prioridade à conclusão deste processo”, indicando que estão em causa “30 fonogramas, 18 cópias digitais de ‘masters’, cassetes gravadas e gravações de entrevistas”.

Em 2019 o parlamento aprovou um projeto de resolução do Partido Comunista Português (PCP) que recomendava ao Governo a classificação da obra de José Afonso como de interesse nacional, com vista à sua reedição e divulgação.

Na altura, em nota divulgada à Lusa, a família de José Afonso manifestava o apoio à classificação da obra e recordava que estava a “colaborar diretamente com o Ministério da Cultura, desde 2018”, para que se desenvolvesse o processo.

Ainda em 2019, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, afirmava publicamente que não foi por falta de vontade que o processo de classificação não se iniciou mais cedo, mas porque não existia acesso às ‘masters’ e ao conteúdo das gravações originais de José Afonso.

José Afonso nasceu em 02 de agosto de 1929 em Aveiro e começou a cantar enquanto estudante em Coimbra, tendo gravado os primeiros discos no início dos anos 1950 com fados de Coimbra, pela Alvorada, “dos quais não existem hoje exemplares”, refere a AJA na biografia oficial do músico.

Autor de ‘Grândola, Vila Morena’, uma das canções escolhidas para senha do avanço das tropas, na Revolução de Abril de 1974, que hoje assinala 47 anos, José Afonso morreu em 23 de fevereiro de 1987, em Setúbal, de esclerose lateral amiotrófica, diagnosticada cinco anos antes.

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