Associação José Afonso celebra aniversário recordando José Mário Branco

Isto faz parte de “um hábito que a associação tem de, por altura do seu aniversário, fazer um espetáculo em que a figura central é um homenageado, neste caso é o José Mário Branco”, explicou o presidente da associação, Francisco Fanhais, à agência Lusa.

Os concertos, que deveriam ter acontecido em novembro de 2020, mas foram adiados por causa da pandemia, decorrerão nos dias 20 e 21, no Fórum Lisboa.

Segundo Ricardo Andrade, também da associação, em palco estarão artistas da música tradicional ao hip hop, que, de alguma forma, refletem igualmente a sensibilidade do próprio percurso de José Mário Branco, que morreu a 19 de novembro de 2019.

Pelo Fórum Lisboa vão passar o fadista Marco Oliveira, o último artista com quem José Mario Branco trabalhou, produzindo o álbum “Ruas e Memórias”, o grupo El Sur, o grupo vocal feminino Cramol e ainda os músicos Lbc Soldjah, Hezbo MC e Pedro Branco.

Naquela sala estará exposta uma antologia de fotografias de Tiago Fezas Vital, que regista o processo de gravação do álbum de Marco Oliveira, com a presença de José Mário Branco.

No domingo, a associação irá ainda apresentar o livro “José Afonso – Todas as canções”, que reúne as letras e os diagramas de acordes para guitarra de mais de 150 canções da autoria do músico.

A obra, compilada por José Mário Branco, João Lóio, Guilhermino Monteiro e Octávio Fonseca, tinha sido publicada em 2010 pela Assírio & Alvim, mas estava esgotada.

José Afonso morreu em 23 de fevereiro de 1987, aos 58 anos, de esclerose lateral amiotrófica. Nesse ano, a 18 de novembro, era apresentada publicamente a Associação José Afonso, com sede em Setúbal.

Segundo os estatutos, a associação procura “dar testemunho do exemplo de José Afonso como indivíduo, cidadão e artista, no respeito pela liberdade e autenticidade criativa” e a sua atividade gira em torno dos “valores universais da solidariedade social” e no empenho “contra a opressão e todas as formas de servidão, desigualdade e injustiça”.

Francisco Fanhais, 80 anos, presidente da atual direção da AJA (2021-2024), que exerceu sacerdócio e se dedicou ao canto de intervenção, sobretudo ao lado de José Afonso, não esconde o entusiasmo em falar sobre o percurso e os ideiais do cantautor.

“O que mais gosto é de ir às escolas falar sobre o Zeca, sobre a música, as razões pelas quais lutávamos antes do 25 de Abril [de 1974]. Onde se encontra eco mais favorável, mais recetividade, é entre a malta que tem 16, 17, 18 anos, que começa a refletir um pouco sobre a vida, sobre o seu futuro, sobre o país. Começam a ser capazes de encaixar as peças todas deste ‘puzzle’ e são extremamente recetivos a esta conversa. É das coisas mais gratificantes”, disse.

Sobre a associação, Francisco Fanhais admite que os associados são sobretudo “pessoas com uma certa idade” também “quem se interessa pela música do Zeca”.

“Transmitir este entusiasmo que temos pela música do Zeca a gente mais nova, que tem tantas solicitações de tantas origens; conseguir introduzir no centro de interesse da malta nova a figura do Zeca é um bocado difícil, mas é uma tarefa que para nós é fundamental”, sublinhou.

Até 2024, a atual direção propõe-se, por exemplo, apoiar e estimular a produção de conhecimento sobre José Afonso, nomeadamente uma biografia atualizada e mais aprofundada.

Segundo Ricardo Andrade, está em curso a criação de uma antologia “bastante exaustiva” das entrevistas de José Afonso publicadas na imprensa, desde os anos de 1960.

Em outubro passado, tinha já sido apresentado o projeto “Canto Moço”, de sensibilização dos jovens para a defesa dos direitos humanos, a partir das canções de José Afonso.

Em articulação com outras instituições, incluindo o Ministério da Cultura, a associação quer ainda “lançar as bases programáticas para as comemorações em torno do centenário do nascimento de José Afonso”, em 2029, lê-se no programa da atual direção.

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