Ateliê brasileiro distinguido com Prémio Début Trienal de Lisboa

Os prémios da 6.ª edição da Trienal de Arquitetura de Lisboa foram revelados numa cerimónia que decorreu na Academia das Ciências de Lisboa, com a presença de finalistas e premiados, incluindo a arquiteta Marina Tabassum, Prémio Carreira Trienal de Lisboa Millennium bcp, anunciado em julho.

Sediado em São Paulo, no Brasil, e fundado em 2013 por Anna Juni, Enk te Winkel e Gustavo Delonero, o ateliê “destacou-se pela sua originalidade, compromisso com o ambiente e elegância da sua obra, resultado da mestria do desenho arquitetónico e uma profunda compreensão dos materiais”, segundo o júri.

Na sua obra, que integra desde projetos de habitação ao Museu de Arte Sacra, destaca-se uma fábrica de tijolos, em Alvaré, no estado de São Paulo, construída com 12 mil blocos de tijolos empilhados sem argamassa, usando como material o produto da própria fábrica, para evitar o impacto ambiental do transporte.

O processo de construção assemelhou-se a uma montagem, podendo ser integralmente reutilizado em caso da relocalização, enquanto a estabilidade do edifício foi obtida aumentando significativamente a volumetria das paredes, à semelhança das antigas construções megalíticas, descreve um texto da Trienal de Arquitetura.

Dez finalistas – escolhidos entre 95 candidaturas de 38 países – são os ateliês e profissionais individuais provenientes dos dois hemisférios do globo que estiveram na corrida ao Prémio Début, dirigido a uma prática profissional individual ou coletiva para impulsionar o crescimento intelectual e profissional de talentos emergentes numa fase crucial do seu percurso.

Os ateliês finalistas foram, além do vencedor, Atelier Tiago Antero (ATA), Portugal; Atelier Tropical – Valerie Mavoungou, Congo; Ben-Avid, Argentina; Messina/rivas architecture office, Brasil; Nana Zaalishvili, Georgia; Rohan Chavan, Índia; Savinova Valeria, Rússia; Spatial Anatomy, Singapura; Vertebral, México.

O júri dos Prémios Début e Carreira foi composto por Cristina Veríssimo, Diogo Burnay, N’Goné Fall, Yael Reisner e Zhang Ke.

Na cerimónia de hoje foram também reveladas as propostas vencedoras do Concurso Prémio Universidades Trienal de Lisboa Millennium bcp que, pela primeira vez, incluiu duas categorias, Mestrado e Investigação.

No total das duas categorias, 18 dos projetos candidatos estão integrados nas exposições centrais da 6.ª edição da Trienal e nove foram finalistas do prémio que tem como principal objetivo aproximar escolas e centros de investigação, incentivando a criação de novas pontes com a prática da arquitetura.

Pela “elevada qualidade e pertinência das propostas”, o Concurso Prémio Universidades na categoria Mestrado foi atribuído ex-aequo a quatro propostas vencedoras.

Aquatic Livelihoods, da Universidade de Harvard, nos E.U.A., está patente na exposição “Visionárias” da Trienal; Coastal Interference, da Bergen School of Architecture, na Noruega, e The Theater of the People da Spitzer School of Architecture, City College of New York, nos Estados Unidos, encontram-se patentes na exposição “Multiplicidade”.

Foi também distinguido “The (in)visible traces of the landscape”, da École Nationale Supérieure d’Architecture de Versailles da Université Paris-Saclay, em França, apresentada na exposição “Ciclos”.

Cada proposta vencedora recebe um prémio de mil euros.

Na categoria Investigação, o galardão – de âmbito internacional – foi para Biogenic Construction, do Institute of Architecture and Technology, que pertence ao The Royal Danish Academy, na Dinamarca, um projeto apresentado na exposição “Ciclos”.

A 6.ª edição da Trienal de Arquitetura de Lisboa, intitulada “Terra”, com curadoria-geral dos arquitetos Cristina Veríssimo e Diogo Burnay, vai apelar à ação ambiental até 05 de dezembro, através de quatro exposições, projetos independentes e debates com especialistas portugueses e estrangeiros em vários espaços da capital, segundo a programação.

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