Caravela lançam álbum ‘Orla’ que navega entre o jazz, Brasil e Cabo Verde

 

O álbum mistura ritmos afro-brasileiros, nomeadamente da Bahia, influências da música cabo-verdiana e jazz contemporâneo, num trabalho do sexteto Caravela, onde todos os músicos têm formação em jazz, tendo-se conhecido em Londres, contaram à agência Lusa Telmo Sousa (guitarrista) e Inês Loubet (vocalista).

Foi por lá que lançaram em 2017 o seu EP, sendo o álbum um trabalho de amadurecimento da banda em torno das influências brasileiras e africanas, tendo inclusive estado três meses em Salvador da Bahia, em 2019, um momento que permitiu aprofundar conhecimentos e inspiração para o álbum de estreia.

Por lá, cruzaram-se com nomes grandes da música brasileira como Caetano Veloso, Seu Jorge, Marisa Monte, Margareth Menezes, o percussionista Peu Meurray ou o poeta e compositor Juraci Tavares, que escreve a letra da canção “Um e Meio”.

“Foi importantíssima a ida à Bahia, estar em contacto com pessoas que nos inspiraram a concretizar este álbum“, salienta Telmo Sousa, frisando que a música que tocam está centrada no ritmo, tendo sido essencial ir “à raiz”, nomeadamente à Bahia, onde as influências africanas estão bem visíveis na música que por lá se cria.

Segundo Inês Loubet, todos os contactos com músicos brasileiros na Bahia foram “muito naturais e espontâneos“.

“Estávamos a tocar com o Peu Meurray e passado um pouco estávamos numa tertúlia em casa do Caetano”, conta, referindo que saíram dessa estadia pela Bahia “mais conscientes dessa fusão de ritmos africanos via Brasil mas também através de Cabo Verde, com a nossa própria linguagem e influências”.

Telmo Sousa e Inês Loubet já tinham tido um projeto “embrionário dos Caravela” há mais de dez anos, no Porto, na altura muito influenciados pela música dos cabo-verdianos Simentera, liderados por Mário Lúcio, tendo os dois rumado a Londres, onde se licenciaram em jazz.

Foi lá que encontraram os restantes membros do sexteto, que representam também uma amálgama de culturas: um brasileiro, um venezuelano, um australiano e um inglês.

“Apesar de todos gostarmos muito deste tipo de música, todos temos leituras e referências diferentes, todas igualmente boas”, nota Telmo.

O nome da banda surgiu inicialmente em torno da atitude dos navegadores, de “se ir para o alto-mar, sem se saber o que se vai passar – esse sentido de coragem e de procura”, explica Telmo Sousa.

No entanto, o nome ganhou outro sentido, centrado numa “proposta de renovação e de união, de convergência”.

“Realmente, é uma nova caravela”, acrescenta.

Inês reconhece que o nome “surgiu de uma ingenuidade”, mas em Salvador da Bahia encorajaram a banda a manter o nome e a dar-lhe “um novo significado”.

“Assumimos a palavra e reinventamo-la e deixamos que a música fale por si própria”, disse.

Também o nome do disco remete para o encontro de culturas – ‘Orla’ -, querendo apontar não apenas para o Atlântico, mas também para a orla enquanto fronteira e borda, onde tudo se junta, aclara Inês.

“A música que procuramos fazer está nesse lugar de convergência e de união. Não somos nem uma coisa nem outra, somos o que está no meio”, disse Telmo.

O álbum, com sete músicas, abre com o single ‘A Macieira’, ouvindo-se, ao longo do trabalho, o português de Portugal, do Brasil e o crioulo de Cabo Verde.

Na faixa ‘Um e Meio’, há a participação do ‘rapper’ britânico Dizraeli, e em ‘Solta o Sinal’ do música brasileiro João Mendes.

Os Caravela são compostos por Inês Loubet, Telmo Sousa, Joseph Costi (teclas), Greg Gottlieb (baixo), Ben Brown (bateria) e Jansen Santana (percussão).

O álbum é lançado a 26 de fevereiro.

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