Carmen Dolores. Diretor do Teatro D.Maria lembra "extraordinário talento"

 

“O extraordinário talento de Carmen Dolores andava de mãos dadas com uma enorme dignidade e elegância“, escreve Tiago Rodrigues, na sua página oficial, no Facebook, recordando os anos de atividade da atriz, o seu papel pioneiro no teatro independente, em particular através do Teatro Moderno de Lisboa, e o modo como desde o início da carreira esteve ligada ao Teatro Nacional D. Maria II.

Carmen Dolores “marcou as nossas vidas e a existência do Teatro Nacional D. Maria II, onde trabalhou desde o início dos anos 50 em inúmeras peças e até ao final dos anos 90”, escreve Tiago Rodrigues.

“Durante toda a sua carreira, sem esquecer a breve mas importantíssima aventura que foi o Teatro Moderno de Lisboa, Carmen Dolores foi um exemplo para todos nós. É com profunda tristeza, mas grande sentimento de gratidão, que lhe digo adeus”.

Depois da estreia nos palcos, no Teatro da Trindade, em 1945, aos 21 anos, Carmen Dolores viria a fazer parte do elenco do Nacional D. Maria II, de 1950 a 1958, onde entrou em perto de duas dezenas de peças, entre as quais “Sonho de uma noite de Verão” (1952), de William Shakespeare, “Casaco de fogo” (1953), de Romeu Correia, “Alguém terá de morrer” (1956), de Luiz Francisco Rebello, e “Dona Inês de Portugal” (1957), de Alejandro Casona.

Na altura, o D. Maria tinha como residente a Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro.

Mais tarde, em 1960, com outros atores, como Ruy de Carvalho, Fernanda Alves, Rui Mendes, Armando Cortez, Morais e Castro e Rogério Paulo, Carmen Dolores esteve na fundação do Teatro Moderno de Lisboa, pondo em cena autores como Fiodor Dostoievski e Friedrich Durrenmatt.

Reviveria a experiência no livro “Teatro Moderno de Lisboa – Um Marco na História do Teatro Português”, que escreveu com o crítico Tito Lívio, em 2009.

Nascida em Lisboa, a 22 de abril de 1924, Carmen Dolores estreou-se nos palcos no Teatro da Trindade, integrada na Companhia Os Comediantes de Lisboa, na peça “Electra, a mensageira dos deuses”, de Jean Giraudoux, encenada por Francisco Ribeiro (Ribeirinho).

Para trás ficava um percurso iniciado anos antes, na rádio, como declamadora e atriz, e no cinema, onde protagonizara filmes como “A vizinha do lado” e “Amor de Perdição”, de António Lopes Ribeiro.

Retirou-se em 2005, com a peça “Copenhaga“, no Teatro Aberto, encenada por João Lourenço.

Em julho de 2018, a atriz foi condecorada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com as insígnias de Grande-Oficial da Ordem do Mérito, no âmbito de uma homenagem no Teatro da Trindade à atriz, que incluiu a estreia da peça “Carmen”, inspirada nas suas memórias, e o batismo da sala principal com o seu nome.

Carmen Dolores foi ainda distinguida com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, atribuído pelo Presidente da República Jorge Sampaio, com a Medalha de Ouro da Câmara Municipal de Lisboa, o prémio Sophia de Carreira, da Academia Portuguesa de Cinema, e o Prémio António Quadros de Teatro, entre outros galardões.

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