CCB. Elísio Summavielle aceitou "solução de continuidade"

Contactado pela agência Lusa, o responsável recordou que o mandato tinha terminado em março, mas decidiu aceitar o convite que lhe foi endereçado pelo ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, para continuar na instituição que dirige desde 2016.

“Não estava nos meus planos, mas a estima e a admiração que tenho pelo ministro da Cultura fizeram-me ponderar e aceitar o convite”, explicou.

A notícia da recondução foi avançada pela Rádio Renascença, indicando que o novo mandato tem início já na próxima terça-feira, e confirmada pela Lusa junto do Ministério da Cultura.

Questionado pela Lusa sobre os projetos em curso no CCB – nomeadamente da construção de um hotel previsto no projeto original – Summavielle disse que “vão continuar”.

“Esta é uma solução de continuidade e vamos ver se são criadas condições para que se possa avançar com o processo dos módulos 4 e 5, muito embora estejamos num período de contenção na economia e no investimento. Mas vamos dar continuidade àquilo que, nos últimos seis anos, se foi fazendo nesta casa”, acrescentou.

De acordo com a mesma fonte do gabinete do ministro da Cultura, a até agora diretora de desenvolvimento e comunicação do centro, Madalena Reis, irá assumir o lugar no conselho de administração do CCB deixado vago por Isabel Cordeiro, a nova secretária de Estado da Cultura, mantendo-se Delfim Sardo no mesmo órgão.

“A entrada de Madalena Reis para o conselho de administração é uma solução interna que favorece uma maior coesão no conselho e na casa. É uma pessoa muito qualificada e que, de certeza, irá ter um bom desempenho nesta equipa”, comentou à Lusa o ex-secretário de Estado da Cultura.

Elísio Summavielle, que tinha anunciado no ano passado que não pretendia continuar à frente da presidência do CCB, porque queria dedicar-se a projetos pessoais, indicou, em setembro desse ano, que o início da construção dos dois novos módulos, seria adiado para o final de 2023, devido ao impacto da pandemia da covid-19.

Na mesma altura – de apresentação da temporada do CCB 2021/2022 -, Summavielle indicou que se mantinha inalterada a situação do Museu Coleção Berardo, do qual o presidente do CCB é o fiel depositário desde 2019, por ordem do tribunal, envolvendo as 862 obras de arte abrangidas pelo acordo entre o Estado e o colecionador José Berardo, na sequência de um processo que lhe foi interposto por três instituições bancárias.

Foi em 2016, durante a tutela do ministro João Soares, que Summavielle foi nomeado para substituir António Lamas, então exonerado, na sequência de discordância sobre o projeto de gestão integrada do chamado “eixo Belém-Ajuda”, cuja estrutura de missão acabou por ser extinta nesse ano, em Conselho de Ministros.

O historiador Elísio Summavielle foi secretário de Estado da Cultura no Governo de José Sócrates, quando Gabriela Canavilhas era ministra da Cultura, e diretor-geral do Património Cultural no executivo de Pedro Passos Coelho, quando, na altura, o secretário de Estado da Cultura era Francisco José Viegas.

Militante do Partido Socialista, Elísio Summavielle, 65 anos, candidatou-se em 2013 à presidência da Câmara de Mafra, que veio a perder, apesar de o partido ter registado uma subida de votação.

Elísio Costa Santos Summavielle nasceu em Lisboa, a 31 de agosto de 1956, e é licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com especialização em História da Arte.

Depois de uma passagem de três anos pelo ensino secundário, todo o seu percurso profissional tem sido feito na área do património.

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