Clube UNESCO usa teatro para salvar línguas minoritárias em Barcelos

Em declarações à Lusa, o diretor artístico do Teatro de Balugas, Cândido Sobreiro, adiantou que a primeira iniciativa do clube será o Festival Internacional de Teatro em Línguas Minoritárias (LÍNGUA), que terá lugar em Barcelos, no Theatro Gil Vicente, de 10 a 12 de junho.

“Já estão confirmadas uma companhia da Extremadura (Espanha) e outra da Sardenha (Itália), e estamos em contactos para trazer também uma de Miranda do Douro. Cada uma fará o espetáculo na língua específica da sua região”, referiu.

Segundo aquele responsável, trata-se de um certame dedicado às “línguas da terra”, que dá palco ao teatro comunitário e amador identitário de uma região ou de uma língua ou dialeto, e que tem como objetivo último evitar a morte de uma língua.

O festival será bienal.

O Clube UNESCO para a Salvaguarda do Teatro em Línguas Minoritárias vai nascer oficialmente no domingo, com assinatura de um protocolo entre a Comissão Nacional da UNESCO e a companhia Teatro de Balugas.

O objetivo, explicou Cândido Sobreiro, é desenvolver atividades artísticas e culturais tendo como ponto de partida a importância que o teatro, enquanto expressão oral, escrita e performativa, pode representar para a preservação e divulgação das línguas em extinção.

“Nos meios mais pequenos é o teatro que acaba por salvar e preservar a língua falada localmente. O teatro é o fiel depositário, uma espécie de arca de Noé de toda essa riqueza linguística.”, adiantou.

Fundado em 2007, o Teatro de Balugas inspira-se na cultura popular do Minho.

“É teatro feito na aldeia, acreditando que este trabalho comunitário manterá viva a identidade desta, enquanto espaço de criação, numa luta contra o desaparecimento do mundo rural, da festa feita nas terras pelas gentes que contavam apaixonadamente as suas crenças, tradições e costumes, de uma certa ideia de progresso que não serve homens nem comunidades”, lê-se na página da companhia.

Conta com mais de 20 criações teatrais levadas a palco, com textos originais seus, tendo atuado em várias localidades do noroeste peninsular, área geográfica “umbilical” do trabalho artístico desenvolvido.

Leia Também: Erika de Casier atua em Lisboa, Braga e Faro em abril e maio

Deixe um comentário