Companhia de bailado abre portas quarta-feira em protesto contra decisão

Esta foi a forma de protesto escolhida pela companhia criada há 24 anos pelo coreógrafo Vasco Wellenkamp e pela bailarina Graça Barroso, para denunciar uma decisão que deixa a CPCB “numa situação muito difícil”, segundo a direção, contactada pela agência Lusa.

A iniciativa foi anunciada nas redes sociais Facebook e Instagram com o título “Nós cá dentro – Manifesto pela dança – Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo”, num encontro a partir das 19:30 de quarta-feira, na Rua do Açúcar, número 31, seguido de um espetáculo gratuito.

Naquele espaço, os 10 bailarinos da companhia irão mostrar o seu trabalho e também a “tristeza e indignação” com a decisão dos concursos de Apoios Sustentados Bienais 2023/2024 da DGArtes, na modalidade da dança, disse o diretor-geral da companhia, Vasco Wellemkamp, contactado pela Lusa.

Concluídos os concursos para apoios bienais, 12 entidades com nota acima de 70%, elegíveis para apoio, foram excluídas por falta de verba, entre elas também a Companhia Clara Andermatt, de Lisboa, o Quórum Ballet, da Amadora, e o Ballet Contemporâneo do Norte, de Santa Maria da Feira.

Face a esta situação, a direção da CPBC decidiu criar um “manifesto vivo” de repúdio, convidando o público a conhecer a casa onde trabalham diariamente, e um espetáculo único e gratuito, às 20:30, para “partilhar a dança” com quem estiver interessado.

“Nós contestámos [o resultado] mas os nossos argumentos não foram acolhidos. Dizem que não criamos projetos mais experimentais, e que o nosso projeto não cabe no modelo, mas nós somos uma companhia com repertório que tem feito digressões na Europa, com salas cheias, e ainda este ano estivemos no Centro Cultural de Belém e na Gulbenkian para apresentar um espetáculo de homenagem pelo centenário de Amália”, disse o coreógrafo.

Diretor da Companhia Nacional de Bailado entre 2007 e 2010, Vasco Wellenkamp iniciou-se na dança em 1961, nos Bailados Verde Gaio, ingressou no Ballet Gulbenkian, em 1968, tendo estudado na Escola de Dança Contemporânea de Martha Graham, em Nova Iorque.

O antigo professor-coordenador da Escola Superior de Dança de Lisboa, sustenta que a CPBC “tem provas dadas em muitos palcos, nacionais e estrangeiros, com excelentes bailarinos, que se estão a perder, porque querem sair de Portugal”, devido à falta de apoio.

“Nos últimos dois anos tivemos apoio, mas foram situações pontuais que foram resolvidas por causa da pandemia”, recordou, acrescentando que ficou impossibilitado de concorrer aos concursos quadrienais, por não ter sido aceite a candidatura na DGArtes.

Vasco Wellemkamp afirma que não quer desistir da companhia, que já passou por maus momentos, nomeadamente a partir de 2010, quando quase se extinguiu, vindo a receber apoio mecenático a partir de 2018 da Allianz Portugal.

No entanto, o fundador da CPBC diz que este apoio “não é suficiente para pagar os salários de 10 bailarinos de uma companhia que tem uma equipa com 14 pessoas”, a trabalhar num edifício da Câmara Municipal de Lisboa, onde paga uma “renda simbólica”.

“Tenho esperança que ainda surja alguma decisão que reverta esta situação”, disse o diretor-geral de uma companhia que obteve nos concursos bienais uma pontuação acima de 70% (76,54%, conforme os mapas da decisão final do concurso, divulgados pela DGArtes).

Na quarta-feira, os bailarinos vão apresentar excertos de várias obras do repertório da CPCB, “num ambiente íntimo e preparado ao pormenor pelos braços dos bailarinos e técnicos que acompanham os espetáculos”.

Além de peças de Vasco Wellenkamp, serão revisitadas outras dos coreógrafos Margarida Belo Costa, Miguel Ramalho, Benvindo Fonseca, Beatriz Mira & Tiago Barreiros.

Na última semana, a DGArtes revelou a lista final de estruturas contempladas com apoios bienais e quadrienais no Programa de Apoio Sustentado 2023/2026 na área da Dança, sem alterações em relação aos resultados provisórios.

Na área da Dança serão apoiadas 19 entidades, 11 na modalidade quadrienal (na qual foram admitidas a concurso 12 candidaturas), com 9,28 milhões de euros, e oito na modalidade bienal (na qual foram admitidas 21), com 1,56 milhões de euros.

Durante o período de audiência de interessados, sete candidaturas tinham contestado os resultados provisórios, de acordo com fonte da DGArtes, em resposta a questões enviadas pela Lusa.

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