Criadores cabo-verdianos mostram ao mundo as suas obras em plataforma

 

“A Plataforma Voador é uma plataforma online, ou uma galeria virtual de criadores cabo-verdianos, onde são apresentados os perfis de um conjunto de criadores que foram convidados a fazer parte da plataforma pelo trabalho que produzem”, explicou à Lusa Ana Marta Clemente, coadministradora da plataforma, que será apresentada esta sexta-feira, dia 3, no Centro Cultural de Cabo Verde, em Lisboa.

O objetivo da Voador é divulgar o trabalho dos criadores e fazer uma curadoria de obras, que ficam disponíveis online, mas são os criadores que se responsabilizam pelo envio para o cliente final dos respetivos trabalhos ou produtos.

“A plataforma aposta na divulgação do trabalho dos criadores fora de Cabo Verde, sobretudo em mercados onde esse trabalho possa ser mais valorizado”, sublinhou Clemente.

“Basicamente, oferece visibilidade e acesso a mercados que os criadores sozinhos, por eles, não conseguem atingir. O objetivo é alcançar mercados que possam valorizar de forma mais justa o trabalho destes criadores, que, estando restringidos ao mercado cabo-verdiano, nunca conseguiriam nem os mesmos valores nem o mesmo reconhecimento”, explicou ainda a administradora.

Cada criador está associado a uma loja na plataforma, “que não é e-commerce”, como fez questão de sublinhar a mesma responsável. “O conceito da plataforma é de proximidade, apesar de ser online. Quem quer comprar entra em contacto com a plataforma, não compra diretamente por e-commerce”.

Os preços das obras – artes plásticas, olaria, artefactos de artesanato, etc. – incluídas na Voador vão dos 30 aos 1.500 euros.

“Este projeto resulta de uma experiência de 12 anos de Cabo Verde, onde temos [Ana Marta Clemente e José Matos Alves, o segundo administrador da Voador] a morar desde 2009, trabalhado e convivido de muito perto com grande parte dos criadores que fazem parte da plataforma”, explicou a administradora.

Da “proximidade e convivência” surgiu a ideia de candidatar o projeto ao DIVERSIDADE – um instrumento de subvenções para a diversidade cultural, cidadania e identidade através da cultura nos PALOP e Timor-Leste -, integrado no programa PROCULTURA, financiado pela União Europeia, cofinanciado pela Fundação Gulbenkian, e gerido pelo instituto Camões.

A candidatura da Voador foi submetida em abril de 2020 e foi contemplada com um financiamento de 10.000 euros, que “proporcionou o arranque do projeto e o primeiro ano da sua implementação”, segundo Ana Marta Clemente.

A Voador tem neste momento 24 criadores com o perfil já inserido na plataforma e conta ainda com mais 10 criadores confirmados, que ainda não estão online, porque a plataforma não dispõe ainda de toda a informação sobre os mesmos. “Dentro de um mês ou dois serão 34 criadores”, garantiu a administradora.

“A ideia é que esta plataforma seja dinâmica, pelo que o número de criadores poderá aumentar, assim como criadores que estão hoje na plataforma poderão vir a deixar de estar. Será um processo com algum dinamismo, até porque um dos objetivos é também encontrar artistas cabo-verdianos na diáspora”, explicou Ana Marta Clemente.

Neste momento, a Voador alberga a loja de um criador a viver em Espanha, de outro a viver na Alemanha; ainda de um em São Francisco, nos Estados Unidos, e de dois a residir em Portugal.

A plataforma está para já “concentrada em cabo-verdianos, dentro e fora de Cabo Verde”. “Se tudo correr bem, poderemos vir a alargá-la a outros países dos PALOP. A ideia é essa, mas no momento está concentrada em Cabo Verde”, explicou Clemente.

A plataforma não tem uma política de exclusividade. “Qualquer criador dentro da plataforma pode vender os seus trabalhos de forma autónoma”, garante a administração da Voador. Por outro lado, nenhum dos criadores incluído na plataforma tem relações de exclusividade com uma galeria. “Se alguma dessas situações surgir terá que ser vista pontualmente”, acrescentou.

A Voador colabora com cinco curadores, pessoas que, “de alguma forma, estão ligadas ao mundo da arte, dentro e fora de Cabo Verde, por forma a haver diferentes visões sobre as obras”.

“Não são curadores profissionais, reconhecidos enquanto tal. São pessoas que convidámos por lhes reconhecermos a experiência e conhecimento que têm da cultura e da arte cabo-verdiana. Apostamos muito nesta relação de proximidade”, esclareceu a administradora.

Finalmente, a Voador funciona em sistema de “comércio justo” e “retém uma percentagem das vendas exclusivamente para gestão e manutenção da plataforma. “Somos uma plataforma sem fins lucrativos. Não estamos a competir no mundo da arte e das galerias de arte, no sentido de ter curadores reconhecidos, etc., porque isso também iria aumentar em muito o custo final das obras”, disse.

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