Danny Strong mostra como uma farmacêutica desencadeou crise dos opiáceos

“O que me impeliu foram os crimes da Purdue Pharma, a manipulação, a fraude, e como isso chegou aos mais altos níveis do governo americano”, disse o criador, em entrevista à Lusa. “Pensei que a história era incrível, chocante, e que as pessoas precisavam de saber e compreender o que se passou”.

Com Michael Keaton, Peter Sarsgaard, Rosario Dawson, Will Poulter, Michael Stuhlbarg e Kaitlyn Dever, a série dramatiza a forma como a Purdue Pharma promoveu a droga OxyContin, opiáceo aprovado pela entidade reguladora FDA com um rótulo especial para tratamento de dor moderada a severa em 1996, e a crise que se seguiu.

“Como havia múltiplas investigações em curso sobre a Purdue, achei que era um contar da história emocionante”, disse Danny Strong. “Tem um elemento de crime, de mistério, há investigadores a tentarem descobrir pistas e crimes, parecia que a espinha dorsal poderia mesmo funcionar tanto em termos de entretenimento como da importância de contar esta história”, sublinhou.

A ideia inicial era fazer um filme, mas à medida que foi conduzindo a sua pesquisa, Danny Strong percebeu que não conseguiria incluir tudo numa longa-metragem.

“A Purdue cometeu demasiados crimes e não dava para os pôr todos em duas horas”, afirmou. “O que eles fizeram é demasiado impressionante, fascinante e, para ser honesto, horripilante”.

A farmacêutica tinha conseguido que a entidade reguladora FDA aprovasse o rótulo e a administração do OxyContin, cujo ingrediente ativo é a oxicodona, para dor moderada a severa, garantindo que um sistema inovador de absorção retardada reduzia o potencial de abuso e a adição era “muito rara” se a droga fosse usada de forma legítima para a gestão da dor.

A série mostra que, baseado nisso, a Purdue Pharma promoveu a droga como não sendo muito viciante e investiu milhões em propaganda, desencadeando uma crise mortal de abuso de medicamentos contra a dor.

“Muito disto aconteceu porque um indivíduo na FDA recomendou um rótulo muito pouco habitual, e acabou por ir trabalhar para eles. A aparência de corrupção é enorme”, disse Danny Strong, referindo-se ao responsável de revisão médica Dr. Curtis Wright.

“Espero que a série crie maior responsabilização pelos crimes da Purdue Pharma e que incentive uma investigação criminal desta família, que nunca foi formalmente acusada”, disse o criador. “Muitos ativistas estão ultrajados por isso. Parece que conseguiram sair ilesos, salvo a destruição do seu nome e reputação para o resto da eternidade”.

Além da responsabilização, o criador sublinhou que o seu principal objetivo com a minissérie é ajudar as pessoas que ainda sofrem com este problema. Segundo o Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas dos Estados Unidos, perto de 50 mil pessoas morreram em 2019 devido a overdoses relacionadas com opiáceos.

“Há terapias e medicamentos que podem tratar a dependência de opiáceos a que muitas vítimas não têm acesso e são estigmatizadas nos Estados Unidos”, declarou Danny Strong.

“São extremamente eficazes e exploramos isso nos últimos episódios, como é o caso da metadona e da Suboxone /buprenorfina”, continuou. “Estas terapias podem mudar vidas muito rapidamente e libertar as pessoas da dependência ou ajudá-las a gerir o uso das drogas, se tiverem de as tomar para sempre”, referiu.

“Esse seria o maior objetivo que esta série poderia conseguir, ajudar pessoas a encontrarem terapias para saírem desta escuridão”, indicou. “Espero que depois do oitavo episódio, as pessoas comecem a telefonar aos seus médicos”.

‘Dopesick’ é uma minissérie de oito episódios e estará disponível no espaço “STAR” da plataforma Disney+ a partir de sexta-feira, 12 de novembro.

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