Debates parlamentares em banda desenhada estão de volta

Um conjunto de nove debates parlamentares, selecionados entre 1821 e 2001, começam hoje a ser lançados no “site” e nas redes sociais da Assembleia da República, retratando em banda desenhada episódios divertidos ou mais acesos entre deputados.

Esta é a segunda temporada da série ‘Fora da Lei’, publicada pela primeira vez em fevereiro, que “tem como objetivo dar a conhecer a dinâmica das intervenções parlamentares, incluindo os apartes e as especificidades características de cada época”, numa lógica de aproximação do parlamento aos cidadãos, de acordo com uma nota do gabinete de comunicação deste órgão.

Nesta temporada estão incluídas ilustrações e intervenções de deputados como Manuel Alegre, Odete Santos, Natália Correia, Maria Leonor Beleza, António Arnaut, Francisco Sousa Tavares e Mota Amaral – este último nas qualidades de deputado (1974) e de presidente da Assembleia da República (2001).

O primeiro episódio remonta a 1821, altura em que os deputados se dedicaram à elaboração da primeira Constituição portuguesa, mas também de outras questões “como a elaboração de um regimento, a contratação de taquígrafos ou a fixação de salários e ajudas de custo” ou ainda a forma como se deveriam vestir no dia da vinda do rei às Cortes.

O ano é 1912, e na Sala do Senado discute-se o Código Eleitoral. O senador José de Castro intervém sobre o direito ao voto da mulher, com frases como “a mulher portuguesa não está suficientemente educada para ter o direito ao voto” ou ainda “a mulher é igual ao homem? Não é, nem debaixo do ponto de vista fisiológico, nem debaixo do ponto de vista intelectual”, entre outras.

Este é mais um dos episódios retratados na banda desenhada, mas não só: também a discussão da política ultramarina do Estado Novo em 1974, com uma intervenção do deputado Mota Amaral que provoca “maior agitação” ou um debate em 1976, em que é abordada a possibilidade de cada partido usar da palavra durante a cerimónia de tomada de posse do Presidente da República, altura em que os deputados se desentendem e ouvem-se frases como “Vai chamar fascista ao Otelo”.

Já em 1991, a deputada Leonor Beleza (PSD) termina a sua declaração política e a escritora e poetisa Natália Correia (PRD – Partido Renovador Democrático) pede a palavra para um pedido de esclarecimento, mas esquece-se de carregar no botão do microfone, o que dá origem a frases como “Aí é que é: é no esquecer do ‘botão’ que está a nossa diferença, minha querida companheira, senhora deputada Maria Leonor Beleza! Preocupa-se excessivamente com o ‘botão'” ou “Senhora Presidente, se lhe dá prazer que eu utilize essa figura regimental, também me dará prazer a mim”.

A série será lançada todas as terças e quintas-feiras no “site” do parlamento e nas redes sociais (Facebook, Instagram e Linkedin).

Nos últimos anos, o parlamento tem vindo a produzir conteúdos mais elaborados para a sua página na Internet, por exemplo, com recurso a vídeos e gráficos que já abordaram temas como os Orçamentos do Estado ou dossiês como a lei da eutanásia.

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