Espetáculo ‘Moby Dick’ marca arranque do Festival de Marionetas de Lisboa

 

O Teatro Nacional D. Maria II dá palco a este espetáculo, inspirado no clássico da literatura de Herman Melville, com encenação de Yngvild Aspeli e a participação de sete atores-manipuladores, 50 marionetas, projeções de vídeo, uma orquestra submersa e uma baleia-marioneta em tamanho real.

Produzido pela companhia A Tarumba – Teatro de Marionetas, com direção artística de Luís Vieira e Rute Ribeiro, o FIMFA Lx21 apresenta ao longo de três semanas espetáculos, através de uma programação que tem como mote “resistir, recomeçar, renovar, reconstruir, reinventar”.

Recordando que, no ano passado, o festival foi apresentado num formato diferente e numa outra data, devido às restrições impostas pela pandemia, os organizadores apresentam a edição deste ano já no calendário habitual (mês de maio), mas sempre com a sensação de estarem na “corda bamba”.

Assim, munida da esperança de conseguir realizar o FIMFA conforme planeado, a organização convida o público a conhecer “os vários percursos e visões dos exploradores contemporâneos das artes da marioneta. Teatro de imagens, de objetos, de figuras, de sombras, de luz, de marionetas: um teatro de todas as matérias – a marioneta para ver e pensar o mundo com um outro olhar”.

É o caso de ‘Chaika’, espetáculo que se segue na programação, nos dias 07 e 08 de maio, e que terá apresentação do São Luiz Teatro Municipal, livremente inspirado em ‘A Gaivota’, de Anton Tchékhov.

Descrito como um espetáculo de um “virtuosismo prodigioso”, esta criação da companhia belga e chilena Belova-Iacobelli é construída em tensão permanente, entre uma obra-prima do teatro clássico, o teatro de marionetas e o movimento coreografado, além de contar com a manipulação de Tita Iacobelli, que permite a desdobragem de diferentes personagens.

Um dos grandes destaques do FIMFA é ‘Optraken’, um espetáculo de novo circo, que junta acrobacia e o poder de objetos de diferentes dimensões, numa criação da francesa Galactik Ensemble, a ser apresentada também no São Luiz Teatro Municipal, nos dias 13, 14 e 15 de maio.

Pela mão de Yeung Faï, o último descendente de uma dinastia de marionetistas (cinco gerações e vários séculos de manipulação), chega ‘The Puppet-Show Man’, com tigres e lutas, que ganham vida através das marionetas tradicionais de luva chinesas, no mesmo teatro, entre os dias 14 e 16.

‘Os sapatos do Sr. Luiz’, uma criação portuguesa de Madalena Marques, em cena nos dias 15 e 16, e ‘Maiakovski – O regresso do futuro’, pelas companhias portuenses Teatro de Ferro e Teatro de Marionetas do Porto, nos dias 21 e 22, encerram a programação do São Luiz.

Neste espetáculo, as duas companhias do Porto juntaram-se para construir uma máquina-do-tempo em que se imagina uma tentativa de ressuscitar o poeta russo Maiakovski algures numa linha temporal alternativa, entre o ativismo político, o desejo amoroso, o trabalho da poesia e uma espécie de troca de correspondência constante com o futuro.

No Teatro do Bairro, vão ser dados a conhecer os “mundos singulares” de dois criadores especiais para o FIMFA: o americano Patrick Sims e a sua companhia Les Antliaclastes, que apresentam uma opereta de alquimia para marionetas, de 21 a 23 de maio, intitulada ‘Ambregris’.

Agnès Limbos, a “papisa do teatro de objetos”, da Bélgica, vai mostrar contos imaginários que se passam em diferentes países, através do espetáculo “Petites Fables”, em cena de 12 a 14.

Ainda no Teatro do Bairro, o músico português Fernando Mota apresenta ‘Concerto para uma árvore’, com apresentação única no dia 18.

O Teatro Taborda apresenta, nos dias 18 e 19, ‘Auto da criação do mundo’, pelos alentejanos Bonecos de Santo Aleixo, em que se poderá ver um retábulo iluminado a candeias de azeite e ouvir o seu linguajar especial, acompanhado de guitarra portuguesa e cantigas.

No LU.CA – Teatro Luís de Camões, e para os mais novos, a companhia alemã Thalias Kompagnons volta a mostrar a sua técnica especial de pintura ao vivo, com “Branco como a noite e claro como o preto”, em estas são as cores que interpretam os papéis principais, apenas com algumas pinceladas, manchas e nuvens de borrifadores, uma “viagem” a ser descoberta nos dias 15 e 16.

Fabrizio Rosselli (França/Itália) vai tentar surpreender o público mostrando o que consegue fazer com baldes, num espetáculo intitulado ‘Bakéké’ (que significa balde em havaiano), que apresenta um “doce e teimoso sonhador”, que diante do impossível, transforma as suas derrotas em jogos, um “espetáculo poético e cómico sobre a impossibilidade da perfeição”, a ver nos dias 22 e 23.

O Museu de Lisboa – Palácio Pimenta dará palco a dois espetáculos portugueses para ver em família e desfrutar do seu jardim: a Limite Zero apresenta o tradicional Teatro Dom Roberto, a 08 e 09 de maio, ao passo que a companhia Radar 360º apresenta “Histórias Suspensas”, para ver nos dias 22 e 23.

O FIMFA chega este ano pela primeira vez ao Centro Cultural da Malaposta, a 15 e 16, com ‘Cinderela’, uma produção do Teatro de Marionetas do Porto.

O FIMFA é um espaço de reflexão e um ponto de encontro internacional do teatro de marionetas contemporâneo, afirmando-se, desde 2001, como um espaço de programação inovadora e alternativa, que se desenrola a partir de critérios rigorosos de qualidade e reconhecido mérito artístico, afirma a organização.

Trata-se de um projeto multidisciplinar de dimensão internacional, empenhado, desde a primeira edição, na promoção, divulgação e reconhecimento do universo das formas animadas.

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