Exposição com obras-primas faz percurso milenar pela Terra Santa

Intitulada ‘Tesouro dos Reis – Obras-primas do Terra Sancta Museum’, a mostra, que ficará patente até 26 fevereiro de 2024, esteve em preparação desde 2021, e reúne um conjunto composto por exemplos de doações régias à Terra Santa, raramente mostrados ao público, segundo a Gulbenkian.

As peças chegaram ao Museu Gulbenkian este verão, tendo um conjunto de cerca de 40 obras sido objeto de conservação e restauro realizado em colaboração com o Laboratório José de Figueiredo, em Lisboa.

O projeto de conservação e restauro foi efetuado por uma equipa composta por mais de uma dezena de técnicos que se dedicou a este trabalho, ao longo de vários meses, nas reservas e nos laboratórios do Museu Gulbenkian, indica a entidade.

Estas peças “poderão ser vistas com o brilho e o fulgor de outros tempos, em contexto com pinturas, livros e documentos de vários museus e bibliotecas nacionais”, na Galeria Principal da Fundação Gulbenkian, que a realiza em parceria com a Custódia da Terra Santa e o Terra Sancta Museum de Jerusalém.

“Lugar de uma profunda simbologia espiritual, a Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém tornou-se, ao longo dos séculos, um importante centro de projeção da devoção e do poder dos reis e príncipes católicos europeus”, evoca um comunicado da fundação sobre a mostra, recordando doações de João V de Portugal, Filipe II de Espanha, Luís XIV de França, Carlos VII de Nápoles e Maria Teresa de Áustria.

Conjuntos artísticos de ourivesaria, têxteis ou mobiliário foram doados para serem utilizados, sobretudo, no culto e na ornamentação da Basílica do Santo Sepulcro, nomeadamente a lâmpada de igreja em ouro remetida por D. João V, com as armas nacionais, ou o grande baldaquino (para colocação de custódia ou crucifixo) ofertado por Carlos VII, rei de Nápoles, peças incluídas nesta exposição, que tem como comissário científico Jacques Charles-Gaffiot, historiador de arte e autor, membro do comité científico do Terra Sancta Museum, e como comissário executivo André Afonso, conservador do Museu Calouste Gulbenkian.

Além das produções da arte europeia, os monarcas e príncipes enviavam também recursos materiais e financeiros destinados ao sustento das igrejas e comunidades locais, tais como moedas de ouro, cera e azeite, e ainda, de forma muito frequente no caso português, bálsamos, perfumes, especiarias e chá provenientes do Oriente, aponta o comunicado.

Tendo como eixo central estas doações, a exposição estabelece ainda um percurso pela história milenar e simbolismo espiritual da Basílica do Santo Sepulcro, destacando o papel da Custódia da Terra Santa — a instituição católica franciscana responsável por zelar pelos lugares cristãos na Terra Santa — que desde 1342 se assume como guardiã deste singular património arqueológico, artístico e litúrgico.

Iniciado há cerca de uma década, o projeto do Terra Sancta Museum inclui um núcleo arqueológico, já aberto ao público, no Convento da Flagelação de Jerusalém, e a segunda parte do projeto contempla a criação de um núcleo para albergar as coleções históricas e artísticas.

Atualmente em obras, esta secção do Terra Sancta Museum ficará situada no Convento de São Salvador, em plena Cidade Velha de Jerusalém, estando a data de abertura prevista para 2026.

Até lá, algumas das obras vão poder ser vistas numa itinerância com início em Portugal, passando por Espanha, Itália e, finalmente, por Nova Iorque, na Frick Collection.

Na exposição de Lisboa, “o vínculo religioso e afetivo da família Gulbenkian à Terra Santa é também evocado, apresentando-se, pela primeira vez em Portugal, um Livro de Evangelhos arménio do século XV que Calouste Gulbenkian ofereceu ao Patriarcado Arménio de Jerusalém no final da década de 1940, numa altura em que já residia em Portugal”, aponta.

Além do acervo do Terra Sancta Museum, estarão expostas peças do Museu Nacional de Arte Antiga, Museu Calouste Gulbenkian, Museu Nacional de Machado de Castro, Museu Nacional do Azulejo, Palácio Nacional da Ajuda, Paróquia de Nossa Senhora dos Remédios de Moita do Norte (Diocese de Santarém), Biblioteca Nacional de Portugal, Biblioteca de Arte e Arquivos Gulbenkian, e Patriarcado Arménio de Jerusalém.

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