Exposição em Lisboa vai mostrar vida e obra do poeta Paulo Leminsky

 

“A exposição reúne excertos pessoais do autor, que resultam de um trabalho de recolha da família, as filhas Áurea e Estela Leminski, e a viúva Alice Ruiz”, segundo comunicado da CAL.

A montagem da exposição na Casa das Galeotas, sede da CAL, no bairro lisboeta de Belém, é acompanhada pela sua filha Aurea Leminski.

Na exposição, “podem ser vistos exemplares do seu vasto repertório como letrista e compositor, recortes específicos do jornalista, publicitário e crítico, originais manuscritos e datilografados, vídeos, entrevistas, cartas e documentos pessoais selecionados do acervo da família, além de vídeos com o autor”.

Um dos músicos que cantaram poesia sua foi Caetano Veloso, o tema ‘Verduras’ do álbum ‘Outras Palavras’ (1981). Além de Caetano, Paulo Leminsky colaborou com o grupo A Cor do Som e a banda de punkrock Beijo AA Força, atualmente fora do circuito musical brasileiro.

Alguns dos seus poemas estão gravados por Moraes Moreira, Gal Costa, Gilberto Gil, Toninho Vaz, Ademir Assumpção ou Itamar Assunção.

Sobre o seu ofício de poeta, Paulo Leminsky escreveu: “Poeta não é só quem faz poesia. É também quem tem sensibilidade para entender e curtir poesia. Mesmo que nunca tenha arriscado um verso. Quem não tem senso de humor, nunca vai entender a piada”.

Interessado pela cultura japonesa, foi cinturão preto em judo, escreveu uma biografia do poeta nipónico do século XVII Matsuó Basho e traduziu obras de Yukio Mishima. A tradução foi uma das suas atividades, tendo traduzido obras de Petrónio, Alfred Jarry, John Fante, James Joyce e Samuel Beckett.

Como poeta estreou-se em 1964, com a publicação de cinco poemas na revista Invenção, então dirigida por Décio Pignatari.

A CAL afirma que Paulo Leminski é um “poeta brasileiro multifacetado de importância fundamental para a cultura brasileira”.

A poesia de Paulo Leminski está reunida em ‘Toda Poesia’, volume editado no Brasil, que foi distinguido com o Grande Prémio da Associação Paulista de Críticos de Arte, em 2013, e vendeu mais de 200 mil exemplares no Brasil, segundo a CAL. Em Portugal, foi publicado no ano passado pela Imprensa Nacional.

De ficção, a sua obra mais conhecida é ‘Catatau’ (1975), que apontava como “prosa experimental”, referindo-a também como “porosa”, e que teve uma 2.ª edição em 1989, outra em 2010 e 2012. Em 1984 saiu o seu romance ‘Agora é que são elas’.

A exposição estará patente na CAL, em Lisboa, de 9 de setembro a 03 de novembro.

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