Festival de Avignon com direção de Tiago Rodrigues tem início hoje

O espetáculo de dança de Bintou Dembélé subirá ao palco da Opéra Grand Avignon enquanto a peça de teatro encenada por Julie Deliquet, que é adaptada de um documentário de Frederick Wiseman, será representada no Cour d’Honneur do Palais des Papes.

De hoje e até 25 de julho, mais de 250 representações constam da programação da 77.ª edição do Festival de Avignon, a decorrer nesta cidade francesa.

Nesta edição do Festival, o primeiro texto e encenação de Tiago Rodrigues a representar é “Dans la mesure de l’imposssible” (“Na medida do impossível”), no dia 13, na Opéra Grand Avignon.

O espetáculo toma por referência entrevistas a cerca de 30 colaboradores do Comité Internacional da Cruz Vermelha e dos Médicos sem Fronteiras sobre a vida em campos de refugiados e escolhas de vida e de morte que se impõem. Este espetáculo terá mais três representações nos três dias consecutivos.

A interpretar estarão Beatriz Brás, Isabelle Caillat, Baptiste Coustenoble, Adama Diop e o músico Gabriel Ferrandini, que assina as composições. Com tradução de Thomas Resendes, o espetáculo tem cenografia de Laurent Junod, Wendy Tukuoka e Laura Fleury.

Quarenta e quatro espetáculos de sala preenchem a programação do certame, que integra ainda atividades paralelas como exposições de artes visuais, leituras, projeções de filmes, criações radiofónicas, bem como o espaço de convívio Café des Idées e Mahabharata, o bar de artistas do festival, aberto a todos os públicos.

Na contagem decrescente para o início do festival, Tiago Rodrigues tem vindo a destacar alguns dos espectáculos nas redes sociais, como os de abertura, e também “A noiva e o boa noite Cinderela”, da brasileira Carolina Bianchi, “Exit above”, a nova criação da coreógrafa belga Anne Teresa De Keersmaeker, “Inventions”, dos espanhóis Mal Pelo, de Pep Reims e Maria Muñoz, o texto “All of it”, do britânico Alistair McDowall, na interpretação de Kate O’Flynn, e as duas criações do também britânico Tim Crouch, “An oak tree” e “Truth’s a dog must to kennel” (“Na verdade, um cão tem de ir para o canil”, em tradução livre), “uma viagem delirante” em volta do “Rei Lear”, de Shakespeare.

Na 77.ª edição do Festival de Avignon, a língua inglesa é a convidada para “construir pontes onde outros gostariam de impor muros”, lê-se na programação do certame. “Não nos contentamos com um mundo dividido por fronteiras”, sublinha o texto.

Em entrevista à agência Lusa, em abril, quando a programação do festival foi divulgada, Tiago Rodrigues disse que a presença do teatro e da dança lusófonos terão “espaço forte” no futuro, pela sua “enorme qualidade”.

“Talvez, neste primeiro ano, o facto de eu ser português tenha influenciado pela negativa a presença da criação portuguesa ou de língua portuguesa por uma espécie de pudor, muito português, mas que não será levado ao exagero, porque não é o facto de eu ter nacionalidade portuguesa que deve prejudicar a criação portuguesa”, disse então.

“By heart”, uma criação datada de 2013 de Tiago Rodrigues, é o espetáculo que encerra esta edição do festival. A obra foi inspirada na história de uma das avós do encenador e dramaturgo, que procurou um último livro para aprender de cor, quando ficou cega. “By heart”, no Cour d´Honneur do Palais des Papes, encontra-se esgotado há muito, segundo a programação do certame.

Ator, encenador e dramaturgo, Tiago Rodrigues foi fundador, com Magda Bizarro, da estrutura de produção Mundo Perfeito e, em 2014, assumiu a direção artística do Teatro Nacional D. Maria II.

Em julho de 2021, foi nomeado diretor artístico do Festival de Avignon, cargo que ocupa desde setembro do ano passado, sendo o primeiro não francês a dirigir este festival.

A programação está disponível em https://festival-avignon.com/.

Leia Também: ‘Catarina e a beleza de matar fascistas’ vence prémio em França

Deixe um comentário