Filme luso-americano sobre tráfico humano estreia-se em Hollywood

Realizado por Nick Laurant, responsável do programa Corridor Crew, o filme é uma produção independente falada em inglês e português com base em factos verídicos. 

“O filme é baseado em histórias reais de tráfico humano”, disse à Lusa Kika Magalhães, que se debruçou sobre este tema há vários anos com o intuito de escrever sobre ele. 

“Sabia que queria fazer um filme que tivesse um tema relevante para os dias de hoje”, sublinhou. “Fiz muita pesquisa sobre o tráfico humano, falei com pessoas que foram traficadas e com um polícia que só se focava em casos destes”, referiu. 

A atriz também descobriu que uma amiga foi traficada em Los Angeles depois de responder a um anúncio para modelos. “Ficou fechada numa casa durante três meses, foi uma história de horror”, contou Kika Magalhães. 

“O que fiz foi uma compilação de todas essas histórias que ouvi e escrevi uma só”, descreveu. “Sabia que ia ser um filme de baixo orçamento, por isso escrevi uma história de duas pessoas num carro”. 

A história é sobre uma emigrante portuguesa traficada em Los Angeles, com muitas cenas em português.

A sua personagem, Sofia, é vítima de Ryan, interpretado por Chris Marrone, que também escreveu o argumento. O elenco conta ainda com a atriz Ana Lopes (no papel de Xana), que recentemente interpretou uma jornalista televisiva na aclamada série da Netflix “Rabo de Peixe”, e com a jovem Brooke Olivia Borges, que encarna Sofia em criança. 

“É um filme de baixo orçamento”, indicou a atriz, referindo que a produção foi filmada em Los Angeles em 2020, em plena pandemia, durante 28 dias. 

Essa foi uma das dificuldades do projeto, disse à Lusa o realizador Nick Laurant, durante a “passadeira verde” organizada esta noite para promover alguns dos filmes no festival. 

“Os maiores desafios foram a logística da covid e não ter recursos suficientes”, explicou. “É o dilema clássico de fazer filmes independentes. Não tínhamos recursos e isso criou algumas dificuldades”. 

A estreia na 26.ª edição do festival de cinema Dances With Films será uma oportunidade de mostrar o filme, conseguir distribuição e competir pelo prémio da audiência e o prémio da indústria. 

“O Dances With Films é um grande festival independente”, salientou Kika Magalhães. “Este festival não aceita pessoas muito famosas”, disse. “Se o filme tiver um Brad Pitt não aceitam”. 

O festival começou a 26 de junho, com o filme “Good Side of Bad” na noite de abertura, e decorre no TCL Chinese Theatre até 02 de julho. 

Na “passadeira verde” estiveram os criadores e atores por detrás de outros títulos em competição, como “Bibi”, “Remixed” e “You Have No Idea”. 

Conhecida pelo papel no filme de 2016 “Os Olhos da Minha Mãe”, que recebeu várias nomeações e prémios, Kika Magalhães tem também outro projeto que vai sair em breve, o filme “Death on the Border” com Danny Trejo e Shannon Elizabeth. 

Leia Também: Joana Vicente entre portugueses convidados para Academia de Hollywood

Deixe um comentário