Inclusão e direitos estão em foco na 8.ª edição da Semana Acesso Cultura

Iniciativa da Acesso Cultura – Associação Cultural sem fins lucrativos, a semana é organizada para promover a reflexão e uma maior consciência em torno do que é o acesso físico, social e intelectual à participação cultural, contando atualmente com 151 associados, desde profissionais do setor e organizações culturais.

Ao longo de sete dias, decorrerá uma programação para dar a conhecer melhor alguns projetos de diferentes pontos do país e que “fazem a diferença”, segundo a entidade, composta por debates, conversas e partilha de experiências, prémios de boas práticas na área da acessibilidade, e a iniciativa “Portas Abertas” aos bastidores de entidades culturais.

A semana abrirá no dia 19, às 18:00, com o debate “The Activist museum: going deeper” [“O Museu Ativista: ir mais longe”, em tradução livre], na Casa Fernando Pessoa, com a participação de Esme Ward, diretora do Manchester Museum, aberto ao público em fevereiro deste ano, no Reino Unido, e Njabulo Chipangura, curador neste museu.

No dia seguinte, decorrerá o lançamento da publicação “10+1 – Acesso, participação e democracia cultural: visões e experiências”, no São Luiz Teatro Municipal, às 18:30, também com entrada livre, para conversas com dez estruturas culturais com quem a Acesso Cultura tem colaborado “para pensar o acesso, a participação e a democracia cultural em Portugal”.

Na publicação digital bilingue – em português e inglês – estão reunidas 10 entrevistas a responsáveis de várias entidades, juntando-se a de Ben Evans, diretor da área de artes e deficiência do British Council, que introduz um contexto internacional na reflexão, descreve a Acesso Cultura num texto sobre o programa.

Para o lançamento desta publicação foram convidados David Cabecinha (Alkantara), Isabel Craveiro (O Teatrão), Miguel Atalaia (Festival Bons Sons) e Inês Thomas Almeida, musicóloga e comissária-adjunta da exposição sobre Madalena Perdigão na Fundação Calouste Gulbenkian.

A cerimónia dos Prémios Acesso Cultura 2023 está prevista para 21 de junho, na Biblioteca de Marvila, às 18:30, com entrada livre, e a iniciativa “Portas Abertas” decorre ao longo da semana com um conjunto de entidades que darão a conhecer espaços normalmente fechados ao público.

“Ao longo destes 10 anos, o acesso e a inclusão passaram a fazer parte natural do discurso dos profissionais do setor cultural. Centenas de profissionais têm participado em cursos de capacitação, conferências e debates públicos organizados pela Acesso Cultura. Assim, conseguimos criar uma massa crítica considerável, que questiona intenções e práticas, cada vez mais consciente da necessidade de conhecer e defender os direitos culturais de qualquer pessoa”, refere a diretora executiva da associação, Maria Vlachou num balanço a propósito do aniversário.

A responsável aponta, no entanto, que “a distância entre a teoria e a prática é muito longa”, e que há ainda muito por fazer: “Enquanto não atuamos, as pessoas veem as suas oportunidades de participação condicionadas. Um país que pretende ter uma democracia de qualidade e que entende a importância do saber cuidar, da felicidade e do bem-estar para a construção desta democracia, não se pode dar ao luxo de excluir”, sustenta a responsável.

Desde 2013 que, através de múltiplas consultorias, estudos e publicações, a Acesso Cultura diz ter “procurado colaborar e ajudar o setor cultural português a identificar e eliminar barreiras físicas, intelectuais e sociais”, nomeadamente iliteracia, desemprego, proveniência étnico-racial, deficiência, isolamento social, escassez de oferta cultural na zona onde uma pessoa reside, isolamento geográfico, baixos rendimentos, cumprimento de pena judicial, entre outros.

Em 2020, publicou o manual “A participação cultural das pessoas com deficiência ou incapacidade: como criar um plano de acessibilidade”, uma encomenda da Câmara Municipal de Lisboa/Polo Cultural Gaivotas|Boavista.

Um ano depois, concretizou a criação da Rede de Teatros com Programação Acessível, com o apoio do BPI e da Fundação La Caixa, com o objetivo de reforçar a oferta cultural acessível fora dos grandes centros urbanos e a colaboração entre teatros.

Ações de formação, estudos, palestras, debates, e “Sessões Descontraídas” – espetáculos que decorrem numa atmosfera com regras mais tolerantes quanto a movimento e barulho na plateia por serem dirigidas a públicos com necessidades especiais – têm sido desenvolvidas por esta entidade em todo o país.

Esta entidade sem fins lucrativos, reconhecida oficialmente em fevereiro de 2021, pela sua utilidade pública, trabalha em regime de voluntariado e com parcerias.

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