Isabel Minhós Martins escreveu sobre a imaginação e as coisas invisíveis

O livro de Isabel Minhós Martins, ilustrado por Madalena Matoso, chama-se ‘Como ver coisas invisíveis – Observações, experiências e perguntas de artistas, cientistas e outras pessoas com imaginação’ e acaba de ser publicado pela Planeta Tangerina.

“O que me motivou [para este livro] foi pensar que a criatividade não é muito bem tratada. Vejo isso na escola dos miúdos, em muitos trabalhos dos meus amigos. Sinto que a criatividade é uma coisa um bocado desprezada. E nós somos muito educados para trabalhar como máquinas. O que é que podemos fazer para valorizar e preservar a nossa criatividade?”, perguntou a escritora, em entrevista à agência Lusa.

‘Como ver coisas invisíveis’ é recomendado para pessoas a partir dos 12 anos, mas foi pensado e estruturado para chegar a leitores mais velhos, a pais, educadores, professores, cruzando várias fontes de informação, da ciência, da filosofia, do pensamento, das artes, e recursos linguísticos e visuais e ajudam a entrar no plano abstrato da imaginação.

Isabel Minhós Martins explicou que a ideia de fazer este livro foi desencadeada por uma fotografia com mais de cem anos, que encontrou numa pesquisa na Internet, na qual estão retratados, com ar divertido, o inventor Alexander Graham Bell e a mulher, Mabel, estando esta enquadrada por uma complexa forma geométrica.

Pesquisando melhor, percebeu que aquela figura tetraédrica na fotografia era o esqueleto de um papagaio de papel, porque Bell se interessava por aerodinâmica e construía aqueles brinquedos; e isso fê-la pensar que a arte e a ciência podem estar próximas e contaminar-se mutuamente.

“Comecei a pensar se haveria alguma relação entre o brincar e a criatividade. Se o tempo que passamos a brincar, como é que se reflete no nosso trabalho quando somos adultos”, questionou.

Nas primeiras páginas, Isabel Minhós Martins explica que no livro aborda ideias e processos criativos, fala sobre “grandes descobertas e teorias que mudaram o mundo”, procura descodificar o que acontece no cérebro quando surgem pensamentos e ideias, e porque é que a criatividade é um músculo que se pode treinar.

“Os problemas que enfrentamos hoje em dia pedem este tipo diferente de pensamento e de postura. Já concluímos que a maneira como nós vivemos, às vezes sem respeitar esse nosso lado mais criativo… Precisamos de tempo para pensar, para arranjar soluções, para conversarmos uns com os outros. Estamos muito habituados a viver de uma maneira em que tem de ser tudo imediato e eu acho que isso nos faz mal”, constatou.

No livro, Isabel Minhós Martins deixa ainda histórias de artistas e cientistas que ajudam a entender como é que se pode estimular a imaginação, citando, por exemplo, o geógrafo do século XVIII Alexander Humboldt, a artista portuguesa Lourdes Castro ou a coreógrafa Pina Bausch.

Na estruturação do livro, que começou a ser feito há cerca de três anos, a escritora contou ainda com revisão das investigadoras Dina Mendonça (Filosofia) e Patrícia Correia (Neurociências) e do ensaísta Paulo Pires do Vale.

Isabel Minhós Martins considera que a criatividade pode ajudar a dar resposta a muitas perguntas que ainda não têm respostas e defende, por isso, a brincadeira, o pensamento fora da caixa e o ato de deambular, numa época em que a gestão do tempo e dos tédios, em particular nos mais novos, é substancialmente diferente.

No livro, a autora escreveu: “Imaginar é como virar uma caixa de brinquedos ao contrário. Sem querer, encontrámos um brinquedo que nem sequer sabíamos que procurávamos. Imaginar também pode ser como por a mão dentro dessa caixa e ir tateando, às apalpadelas: ‘O que é que pescaste desta vez, imaginação?”.

A escritora, nascida em Lisboa em 1974, diz-se movida por curiosidades, para contrariar o desconhecimento sobre determinadas áreas: “Eu gosto muito de andar por dentro dos temas e acho que tem a ver com a minha ignorância. Não é falsa modéstia. Como há imensa coisa que eu não sei, fico sempre muito feliz quando encontro coisas que não sabia, que acho interessante e depois tenho muita vontade de partilhar isso”.

Isabel Minhós Martins escreve e publica há cerca de vinte anos, em particular através da editora Planeta Tangerina, que cofundou, e é autora de mais de trinta livros, de ficção e informativos e para diferentes idades, estando muitos já traduzidos noutras línguas.

No plano dos livros mais informativos, Isabel Minhós Martins publicou, por exemplo, ‘Lá Fora – Guia para descobri a natureza’, ‘Cá Dentro – Guia para descobrir o cérebro’ e ‘Atlas das Viagens e dos Exploradores’.

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