Lauro António: Oeiras destaca "profissionalismo e competência exemplares"

Lauro António, programador, crítico e realizador de cinema, morreu hoje, aos 79 anos, em consequência de “um ataque cardíaco fulminante” em casa, em Lisboa, segundo um familiar.

“É com grande consternação que a Câmara Municipal de Oeiras vem manifestar publicamente pesar pelo falecimento de Lauro António, um dos mais conceituados cineastas portugueses, que deu a honra a este município de colaborar, ao longo de décadas, em várias iniciativas culturais, com um profissionalismo e competência exemplares. O seu trabalho de divulgação da cultura cinematográfica valorizou milhares de oeirenses”, lê-se numa nota da autarquia, presidida por Isaltino Morais.

Para este município do distrito de Lisboa, Lauro António foi “uma autoridade no que ao cinema diz respeito, tendo contribuído decisivamente para a divulgação pedagógica do cinema”.

“Em Oeiras, brindou-nos com o projeto ‘Masterclass’ sobre ‘Os Cinemas da Europa’ (desde 2011), ‘A Época de Ouro do Cinema Americano — 1940-1960’ (2012), ‘A Época de Ouro do Cinema Italiano’ (2013), ‘O Melhor do Cinema Inglês (1935-2000)’ (2014), ‘A Atriz — Arte e Sedução’ (2015), ‘Grandes Cómicos, Grandes Comédias’ (2016), ‘O Ator’ (2017), ‘Filmes Que Eu Amo, I’ (2018), ‘Filmes Que Eu Amo, II’ (2019), ‘Filmes que Eu Amo, III’ (2020/21) e ‘Cinema Americano — Anos 80’ (2022)”, acrescenta a autarquia.

Lauro António foi também autor de publicações da autarquia, nomeadamente “José Viana” e “Os Cinemas da Europa”.

“Oeiras vai recordar, sempre, Lauro António pela sua mestria, postura e conduta em todos os momentos que colaborou com este município, tendo ao longo dos anos cultivado o respeito e a amizade daqueles com quem se relacionou”, lê-se na nota de pesar.

Nascido em Lisboa, em 18 de agosto de 1942, Lauro António de Carvalho Torres Corado passou a infância e parte da adolescência em Portalegre e formou-se em História, na capital.

Na década de 1960, ainda na faculdade, foi crítico de cinema nos jornais República e Diário de Lisboa, na revista Plateia e, mais tarde, noutras publicações como Diário de Notícias e Se7e. Foi também membro do Cine-Clube Universitário de Lisboa e dirigente do ABC Cine-Clube.

Lauro António assinou o primeiro filme profissional em 1975, quando rodou a ‘curta’ documental “Vamos ao Nimas”, sobre os cinemas de Lisboa, mas o mais conhecido dos seus filmes seria a adaptação do romance “Manhã Submersa” (1980), de Vergílio Ferreira.

A intensa atividade em torno do cinema fê-lo programar para várias salas de cinema, colaborar com a RTP e a RDP, publicar ensaios, dirigir festivais de cinema em Portalegre, Seia, Viana do Castelo e em Famalicão, e lecionar, consecutivamente, em cursos sobre cinema.

Nos anos 1990, estreou-se como encenador, com a peça “Encenação”, no Teatro de Animação de Setúbal, mas ficou mais conhecido sobretudo pelo programa televisivo “Lauro António apresenta”, título que recuperou para um blogue que atualizava com regularidade com crítica sobre cinema.

É autor de livros como “Cinema e Censura em Portugal” e “O Cinema entre Nós”.

Em 2018, Lauro António recebeu o Prémio Carreira do Fantasporto, foi distinguido pela Academia Portuguesa de Cinema com um prémio Sophia de carreira e condecorado pelo Presidente da República com o grau de comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

Leia Também: Primeiro-ministro destaca “o mais incansável dos cinéfilos”

Deixe um comentário