Liberdade de Sam Smith e irreverência de Josh Homme encerram NOS Alive

Eis que chegou o fim. Desde o “cabaré gay” de Sam Smith à irreverência dos Queens of the Stone Age, o terceiro e último dia da 15.ª edição do NOS Alive ficou marcado por uma amálgama de géneros musicais dos artistas que passaram pelo Passeio Marítimo de Algés e que ‘deram música’ às centenas de festivaleiros que ali acorreram, de 6 a 8 de julho.

“Este espetáculo é sobre liberdade”, introduziu Sam Smith, já a lua estava alta. E assim foi. Arrancando de forma relativamente simples, – não estivesse uma enorme estátua de um corpo voluptuoso plasmada de dourado no centro do palco -, a atuação do cabeça de cartaz foi adquirindo complexidade tanto em termos de produção, como de conteúdo.

Depois dos êxitos que catapultaram Smith para o topo das tabelas, entre eles ‘Stay With Me’, ‘I’m Not the Only One’ e ‘Like I Can’, ‘Love Goes’ ditou o início de uma história de amor, sexualidade e exuberância que foi ganhando ímpeto na coreografia da sua comitiva, que quase não conseguiu levar a cabo aquele grito pela liberdade devido ao cancelamento de voos. 

Com a multidão ao rubro e a cantar a uma só voz, Smith trocou de indumentária por diversas vezes, tendo mesmo envergado uma camisola da seleção feminina de futebol, rapidamente despida. ‘I’m Not Here to Make Friends’, ‘Gimme’ e ‘Promises’ serviram como prefácio do “cabaré gay” de Smith.

Antes do profano, contudo, veio o eclesiástico, com ‘Gloria’, no qual Smith se apresentou com um manto transparente e uma coroa semelhante à retratada pelo catolicismo em Jesus Cristo. Por baixo, Smith estava quase como veio ao mundo: cruzes negras nos mamilos, meias de rede e lingerie que deixou pouco à imaginação. ‘Unholy’ ditou o fim da terceira atuação de Smith no NOS Alive, levando a plateia ao ‘clímax’.

Antes, no lusco-fusco, foi a vez dos míticos Queens of the Stone Age tomarem o palco principal. Com uma audiência visivelmente mais reduzida em comparação com aquela que acolheu os britânicos Arctic Monkeys no dia anterior, talvez um sintoma da hora mais próxima do jantar, Josh Humme primou pela irreverência e gratidão pelos que, a alto e bom som, trautearam e dançaram temas como ‘Smooth Sailing’, ‘If I Had a Tail’ e ‘Make It Wit Chu’, valendo-lhes vários “obrigado” por parte do norte-americano. “Vamos dançar, seus filhos da mãe”, tinha, de facto, avisado.

Em cerca de uma hora, a banda composta por Josh Homme, Troy Van Leeuwen, Dean Fertita, Michael Shuman e Jon Theodore apresentou apenas dois temas do mais recente trabalho ‘In Times New Roman…’, nomeadamente ‘Carnavoyeur’ e ‘Emotion Sickness’, optando, ao invés, por uma viagem pelo passado e pelos grandes êxitos de uma longa – e recheada – carreira musical.

“Atravessámos o grande oceano para estarmos aqui com vocês. Ninguém nos vai dizer o que fazer”, atirou Humme, rejeitando as ‘ordens’ dos bastidores para concluir a atuação. “Em vez de uma canção, vamos cantar duas”, disse, rematando com ‘Go With the Flow’ e ‘A Song for the Dead’.

Colson Baker, conhecido como Machine Gun Kelly (MGK), foi o ‘aperitivo’ para Queens of the Stone Age. Ao som de ‘papercuts’, o norte-americano arrancou aquela que foi a sua estreia em solo nacional no topo de uma estrutura em pirâmide, apelando para que os festivaleiros metessem “os cornos no ar”. De guitarra cor-de-rosa em punho, o cantor, compositor e rapper cumprimentou o público com um sonante “olá, Portugal”, deixando a audiência – e o palco – em chamas.

“Que boas-vindas absurdas. Não acredito que temos estado a perder isto”, confessou. Com um copo de vinho na mão, MGK passou lições de vida com ‘F*CK YOU, GOODBYE’ e ‘drunk face’, introduzindo ‘nothing inside’ entre a multidão, que calmava por si.

E outra confissão (e lição, convenhamos): “Espirrei há bocado e tinha-me esquecido do quão bom é. Foi um dos melhores orgasmos que já tive. Da próxima vez que espirrarem, aproveitem esses cinco segundos”, aconselhou.

Em constante interação com o público, o norte-americano atirou que quem estava “na sombra” estava a sair-se bem; os restantes, nem por isso. Mas nem isso impediu os festivaleiros de ser ‘coro’ para ‘bloody valentine’, ‘forget me too’ e ‘my ex’s best friend’.

E uma última confissão: “Vocês fazem-me sentir como se já cá estivesse estado 10 vezes.”

Quem partilhou de um sentimento semelhante, no palco Heineken, foi a também estreante King Princess. Na ‘praxe’, miúdos e graúdos vibraram com o jogo de sedução de Mikaela Mullaney Straus, que não se cansou de puxar pela plateia. Com uma casa confortavelmente cheia, a norte-americana também teve confissões a fazer: “Tenho-me divertido muito aqui. Desculpem ter demorado tanto tempo a vir até cá. Adoro Portugal.”

Foi com ‘Talia’ que os festivaleiros mais vibraram, além de ‘1950’, o primeiro tema lançado pela artista, quando tinha 19 anos. “Preciso que sejam a plateia mais barulhenta da Europa”, apelou, e o mar de gente lá ouviu, depois de um início morno.

King Princess teve ainda tempo de descer até ao público em ‘Change the Locks’, a sua “canção favorita” do disco de 2022, ‘Hold On Baby’, passando também por temas como ‘I Hate Myself, I Want to Party’, ‘Prophet’ e ‘Cursed’, antes de chegar à hora da despedida, com ‘Ohio’.

“Então, Lisboa? Quem é bom? Sou eu ou são vocês?”, questionou, saindo de rompante do palco, com um beijo atirado à multidão.

A 16.ª edição do NOS Alive regressa nos dias 11, 12 e 13 de julho de 2024, segundo confirmou o Notícias ao Minuto junto da Everything is New, promotora do festival.

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