Logótipo dos 100 anos de Saramago e comemorações divulgados hoje

De acordo com a Fundação José Saramago, as comemorações começam em novembro deste ano, no dia em que o escritor completaria 99 anos, e vão estender-se por todo o ano 2022 e alguns meses de 2023.

A preparação deste programa comemorativo arrancou em outubro do ano passado, com a assinatura de um acordo de colaboração entre a fundação e o Ministério da Cultura.

No entanto, o programa comemorativo ainda não foi anunciado, tendo sido apenas desvendados os seus eixos centrais, logo na altura da assinatura do acordo, hoje especificados pelo comissário para o Centenário de José Saramago, Carlos Reis.

De acordo com o ensaísta, está a ser preparado “um amplo programa de evocação do centenário, distribuído por quatro eixos”, o primeiro dos quais o “da biografia, dando atenção ao trajeto biográfico, formativo e cívico do escritor, em relação com a sua produção literária”.

Outro eixo é o da leitura, “entendendo-se o centenário do escritor como momento adequado para se revigorar a leitura da sua obra e também para conquistar novos leitores, desejavelmente jovens”, afirma Carlos Reis, num texto publicado na página da fundação.

O terceiro eixo é o das publicações, “tanto no plano das obras evocativas, de divulgação ou de extensão transliterária, como no das edições ilustradas, com iconografia do escritor e da sua obra”.

Finalmente, o quarto eixo é o das reuniões académicas, “uma vez que José Saramago é um escritor com forte presença na academia, em Portugal e no estrangeiro, motivando reuniões científicas em diferentes locais”, acrescenta o comissário para o programa.

A Fundação José Saramago divulgou hoje também o novo logótipo criado para o centenário pelo ‘designer’ espanhol Manuel Estrada, autor também do logo da fundação.

Manuel Estrada explica que começou a desenhar o logótipo do Centenário de José Saramago a partir dos dois zeros contidos no número cem.

“É um numero que está cheio de significado, cem anos é um século e um marco. Os dois zeros são como os olhos abertos da criança descrita em ‘As Pequenas Memórias de José Saramago'”, explica o artista, acrescentando que “os olhos de José Saramago sempre estiveram muito abertos para ver o mundo, para descrevê-lo e para mudá-lo.”

Foram concebidas duas versões para o centenário: a primeira, apenas tipográfica, chamada pelo criador de “logo principal”, insere o numeral cem na palavra Saramago (nas três últimas letras) para criar uma imagem que “diz tudo o que tem de dizer” com a simples fusão de palavras Saramago com 100.

Segundo Carlos Reis, as iniciativas do centenário de José Saramago vão envolver entidades muito diversas, em Portugal e noutras partes do mundo, cabendo à fundação o papel central, mas respeitando “a autonomia dos atores e das instituições que venham a dar contributos próprios ao centenário”.

Para o responsável, esta efeméride é uma “oportunidade privilegiada” para consolidar a “presença do escritor na história cultural e literária, em Portugal e no estrangeiro”, o que implicará a revisitação “de uma atividade literária e cívica que marcou a cena portuguesa e internacional durante décadas”.

Carlos Reis destaca ainda que na atividade literária de Saramago se afirma “uma obra com uma vitalidade inquestionável, bem como a acentuação do pensamento social, político e ético” do autor.

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