Manoel de Oliveira fora de portas na rentrée da Gulbenkian

 

Além de Manoel de Oliveira, com uma mostra reveladora da faceta desconhecida do cineasta, estão também previstas uma exposição individual do artista Fernão Cruz e uma exposição de documentos do arquivo de Alberto Carneiro (1937-2017), indica a temporada da Gulbenkian hoje divulgada à agência Lusa.

A ´rentrée´ das exposições na Gulbenkian começa a 24 de setembro com a exposição ‘Visões de Dante. O Inferno segundo Botticelli’, com curadoria de João Carvalho Dias e Maria Helena Melim Borges, que ficará no Museu Calouste Gulbenkian até 29 novembro, partindo de dois desenhos do artista Sandro Botticelli, alusivos a dois Cantos de ‘A Divina Comédia’ de Dante Alighieri (‘Inferno’, XII e XIII), pertencentes à Biblioteca Apostólica Vaticana.

Desta forma, o Museu Calouste Gulbenkian associa-se às comemorações que assinalam os 700 anos da morte do poeta italiano, reunindo, na mostra, várias edições desta obra da literatura mundial, comentadas por figuras como Boccaccio ou Iacopo della Lana, também emprestadas pela Biblioteca Apostólica Vaticana, bem como edições de ‘A Divina Comédia’ de outras coleções institucionais e privadas.

A esta mostra junta-se a escultura ‘A Eterna Primavera’ de Auguste Rodin, da coleção do Museu Gulbenkian, produzida numa altura em que o artista realizava a ‘Porta do Inferno’, destinada ao futuro Museu das Artes Decorativas de Paris, inspirado n”A Divina Comédia’ e constituída por cenas do primeiro Canto.

Serão apresentadas também uma escultura e um conjunto de desenhos do escultor Rui Chafes, da série ‘Inferno (a minha fraqueza é muito forte)’ que revelam a atualidade e vitalidade da mensagem de Dante, desde o período tardo-medieval até à contemporaneidade.

O cardeal José Tolentino de Mendonça abre a programação paralela a esta exposição, com uma conferência intitulada ‘Todos somos chamados a construir visões — A Divina Comédia como pedagogia do olhar’, entre outros especialistas da obra de Dante como Lucia Battaglia Ricci, Massimo Cacciari e também o escritor Alberto Manguel.

De 29 de outubro até 17 janeiro de 2022, no átrio da Biblioteca de Arte da Gulbenkian, será apresentada a exposição ‘Manuel de Oliveira Fotógrafo’, mais de uma centena de fotografias do arquivo pessoal do realizador, produzidas entre finais de 1930 e meados dos anos 1950, na sua maioria inéditas.

As fotografias pertencem ao acervo de Manoel de Oliveira, Casa do Cinema Manoel de Oliveira — Fundação de Serralves, no Porto, onde a exposição esteve patente entre outubro de 2020 e junho deste ano.

Antes, a 24 setembro — e patente até 17 janeiro 2022 – o Museu Calouste Gulbenkian também inaugura ‘Fernão Cruz. Morder o Pó’, com curadoria de Leonor Nazaré, sobre o trabalho do jovem artista nascido em Lisboa, em 1995, cujo percurso tem vindo a consolidar-se nos últimos anos.

Pensada de raiz para a Fundação Gulbenkian, mostra três dezenas de obras inéditas: 10 telas pintadas a óleo e a resina alquídica e 20 esculturas, sobretudo em bronze, instaladas em dois espaços distintos separados por um corredor escuro que o visitante é convidado a percorrer depois de transpor uma porta-pintura entreaberta.

Licenciado em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa em 2017, viveu, estudou e trabalhou em Barcelona entre 2016 e 2017.

Fernão Cruz expõe com regularidade desde 2015, destacando-se as exposições individuais ‘Quarto Blindado’, no Centro Internacional das Artes José de Guimarães (Guimarães, 2021), ‘Flying Tombstones’, ARCO Madrid, Galeria Balcony (Madrid, 2020) e ‘Bring a Friend to the End’, Sade Gallery (Los Angeles, 2020).

Também a partir de 27 setembro — e até 18 outubro – no átrio da Biblioteca de Arte, será apresentada uma exposição de documentos do arquivo de Alberto Carneiro, artista cujo espólio, desde janeiro, integra o acervo Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian

A partir de outubro, o Centro de Arte Moderna (CAM) vai apresentar um ciclo de programação ‘fora de portas’, intitulado ‘CAM em Movimento’, um projeto que ‘procura disseminar a arte contemporânea na área metropolitana de Lisboa’ através da apresentação de obras de arte e intervenções ´site-specific´ nas carruagens de comboios nas linhas urbanas que ligam Lisboa a Cascais, Sintra e Azambuja.

As obras de arte são assinadas por Fernanda Fragateiro, Ângela Ferreira e Didier Fiúza Faustino, estando também previstas intervenções de artistas em contentores de transporte marítimo instalados em diferentes locais da cidade.

Aqui vão participar projetos de Carlos Bunga, Rui Toscano e Teresa Braula Reis, enquanto no Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian será apresentado um contentor onde vão ser mostrados, em rotatividade, um ciclo de vídeos da Coleção do CAM de João Onofre, Pedro Barateiro, Lida Abdul e Fernando José Pereira.

A 01 outubro — e patente até 10 janeiro 2022 – abre ao público a exposição ‘Hergé’ na galeria principal do museu, apresentada pela primeira vez no Grand Palais, em Paris, com uma seleção de documentos, desenhos originais, pranchas originais, pinturas, fotografias e documentos de arquivo, e várias outras obras criadas pelo autor do personagem Tintim.

Organizada em colaboração com o Museu Hergé de Louvain-la-Neuve, a mostra revela as múltiplas facetas de uma personalidade artística de referência, da ilustração à banda desenhada, passando pela publicidade, imprensa, desenho de moda e artes plásticas

Até 31 março de 2022 ficará ainda patente, na galeria do Oriente Islâmico, a exposição ‘O poder da palavra. Mulheres: navegando entre a presença e a ausência’, um projeto curatorial participativo desenvolvido por Jessica Hallet, conservadora do Museu Gulbenkian, que envolve um grupo diversificado de pessoas que vive em Lisboa e se expressa em várias línguas como o árabe, persa, turco e português.

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