Marcelo lamenta morte de um dos "mais importantes poetas-críticos"

O poeta Gastão Cruz morreu hoje, aos 80 anos, no Hospital Egas Moniz, em Lisboa, disse à Lusa fonte próxima da família.

Numa nota publicada na página oficial da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa refere-se a Gastão Cruz como “um poeta que esteve, no contexto estético, teórico e ideológico da sua geração, entre os autores de ‘Poesia 61’, conjunto de plaquetes (e não um movimento enquanto tal) que anunciou uma renovação da poesia portuguesa em termos de modernidade e exigência”.

“E um crítico que, ao longo de décadas, na imprensa, em livro (‘A Poesia Portuguesa Hoje’, 1973), e mais tarde na revista de que foi codiretor, ‘Relâmpago’, estabeleceu critérios que lhe permitiram valorizar determinados poetas seus antecessores, dar legibilidade aos contemporâneos e demarcar o território entre o que considerava ter ou não ter dignidade poética”, destacou, por outro lado, o Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu ainda que Gastão Cruz “escreveu sobre a exatidão da palavra, o mal de viver e a fugacidade do tempo”, recordando que recebeu alguns dos mais importantes prémios literários nacionais, além do grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, em 2019.

“Deixou também marca no teatro, como encenador e tradutor, tendo introduzido um novo paradigma de sobriedade no modo de dizer poemas em voz alta”, acrescentou na nota, em que transmite à família do poeta as suas condolências.

Gastão Cruz, que nasceu em Faro em 1941, era licenciado em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e autor premiado de vários títulos de poesia e ensaio.

Foi nos tempos de estudante universitário que começou a publicar em jornais e revistas poemas e artigos sobre poesia. Na mesma altura, participou ativamente nas greves académicas de 1962 e foi um dos organizadores da “Antologia de Poesia Universitária” (1964).

O seu primeiro livro, “A Morte Percutiva”, data de 1961. Depois, publicou, entre outros, “A Poesia Portuguesa Hoje” (1973), “Campânula” (1978), “Órgão de Luzes” (1990), “Transe — Antologia 1960-1990” (1992) e “As Pedras Negras” (1995).

Os seus ensaios sobre poesia, “A Poesia Portuguesa Hoje”, foram editados pela primeira vez em 1973. “A Vida da Poesia — textos críticos reunidos” (2008) foi a mais recente recolha do seu trabalho ensaístico.

No ano seguinte, em 2009, reuniu a sua poesia no volume “Os Poemas”, tendo posteriormente publicado “Escarpas” (2010), “Observação do Verão” (2011), “Fogo” (2013), “Óxido” (2015) e “Existência” (2017).

Em 1975, Gastão Cruz foi um dos fundadores do grupo Teatro Hoje, posteriormente fixado no Teatro da Graça, que dirigiu e para o qual encenou peças de Crommelynck, Tchekov e Strindberg, assim como uma adaptação do romance “Uma Abelha na Chuva”, de Carlos de Oliveira.

Entre 1980 e 1986 foi leitor de português no King’s College, na Universidade de Londres.

Em 2018, foi distinguido com a Medalha de Mérito Cultural, atribuída pelo Governo português, “em reconhecimento do inestimável trabalho de uma vida dedicada à poesia”.

Na altura, o Ministério da Cultura justificou a distinção com a dedicação de Gastão Cruz “à produção literária e à escrita, difundindo amplamente a Língua e a Cultura portuguesas, ao longo de mais de 50 anos”.

Ao longo da carreira, recebeu ainda, entre outros, o Prémio D. Diniz, em 2000, pelo livro “Crateras”, o Prémio do P.E.N. Clube Português de Poesia, em 1985, 2007 e 2014, respetivamente, pelas obras “O Pianista”, “A Moeda do Tempo” e “Fogo”, o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, em 2002, pela obra “Rua de Portugal”, e ainda o Grande Prémio de Literatura DST, em 2005, por “Repercussão”, e o Prémio Literário Correntes d’Escritas/Casino da Póvoa, em 2009, por “A Moeda do Tempo”.

Em 2013, a Fundação Inês de Castro homenageou o poeta atribuindo-lhe o Prémio Tributo de Consagração.

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