Maria João Pires em digressão com orquestra da fundação Gulbenkian

Os pianistas Grigory Sokolov, Mitsuko Uchida e Elisabeth Leonskaja, a violinista Isabelle Faust e o violoncelista Jean-Guihen Queyras, que interpretará as Suites para violoncelo solo, de Johann Sebastian Bach, numa das mais recentes coreografias de Anne Teresa de Keersmaeker, estão igualmente entre “os grandes intérpretes” de uma programação que prevê perto de 60 concertos e várias estreias, até junho.

A estes juntam-se ainda o baixo-barítono Marcos Fink, a soprano Karita Mattila e o maestro Lorenzo Viotti, titular da orquestra até à temporada passada, de regresso para dirigir dois programas, em maio.

O primeiro semestre de 2022 contará ainda com a primeira audição portuguesa de “A Stroll”, concerto para trombone de Chick Corea (1941-2021), e com a estreia do Quarteto de Nuno Costa, além da apresentação em Lisboa de “Deux Portraits Imaginaires”, de Pedro Amaral.

O maestro Nuno Coelho e a maestrina Inês Tavares Lopes, o violinista André Gaio Pereira e o Quarteto Tejo, vencedores do Prémio Jovens Músicos em 2017 e 2019, respetivamente, são alguns dos músicos portugueses que também estão na primeira linha da programação da Temporada Gulbenkian de Música, a cumprir de 04 de janeiro a 04 de junho de 2022.

Até maio, no universo do piano, a Gulbenkian apresentará aqueles que coloca entre os “intérpretes lendários”, como Maria João Pires, Grigory Sokolov, Mitsuko Uchida e Elisabeth Leonskaja, sem esquecer os “jovens pianistas virtuosos” Behzod Abduraimov, Alexandre Kantorow e Célimène Daudet.

Maria João Pires apresenta-se num concerto único com a Orquestra Gulbenkian, dirigida pelo maestro japonês Tatsuya Shimono, no dia 10 de fevereiro. Irá interpretar o Concerto n.º 2, para piano e orquestra, de Chopin.

Este concerto abre uma nova digressão da pianista, com a Orquestra Gulbenkian, pelas cidades de Paris, Barcelona e Girona.

O programa inclui igualmente a obra de Pedro Amaral “Deux Portraits Imaginaires”, estreada em 2013 pelo Remix Ensemble, em Zurique, na Suíça, para lembrar que o anterior maestro titular da Orquestra Metropolitana é também um dos mais importantes compositores portugueses contemporâneos.

O ‘ciclo de piano’ da Gulbenkian inclui ainda Elisabeth Leonskaja, uma das principais intérpretes de Schubert e Beethoven, que em Lisboa apresentará o Concerto n.º 5 para piano e orquestra, “Imperador”, do mestre de Bona, sob a direção de Krzysztof Urbanski, nos dias 20 e 21 de janeiro.

Grigory Sokolov regressará a 03 de abril (com um programa ainda a anunciar) e Mitsuko Uchida atuará cerca de duas semanas mais tarde, no dia 20, num recital que coloca lado a lado a Fantasia K.475 e a Sonata para Piano K.457, de Mozart, e as “Davidsbündlertänze”, op. 6, de Schumann, numa sequência aberta por uma seleção dos pequenos jogos e exercícios (“Játékok”), de Kurtág.

O pianista francês Alexandre Kantorow, vencedor do 1.º prémio do Concurso Tchaikovsky, em 2019, estreia-se em Lisboa com um recital a solo que inclui obras de Liszt, Scriabin e Schumann (22 de março), seguido de duas atuações com a Orquestra Gulbenkian, dirigida por Andris Poga, para interpretar o Concerto para piano n.º 2, de Chostakovitch.

A pianista francesa de ascendência haitiana Célimène Daudet também se estreará em Lisboa, em 11 de maio, num recital com obras de Debussy e Chopin, a que junta peças de compositores do Haiti como Justin Elie e Ludovic Lamothe.

Dos “jovens virtuosos”, regista-se ainda o regresso à Gulbenkian do pianista uzbeque Behzod Abduraimov, no dia 21 de fevereiro, num recital com obras de Liszt, Rachmaninov e Mussorgsky.

A soprano Karita Mattila oferece as cinco canções do ciclo “Wesendonck Lieder”, de Richard Wagner, acompanhada pela Orquestra Gulbenkian, dirigida por Hannu Lintu. Será nos dias 13 e 14 de janeiro, num programa que também inclui a 1.ª Sinfonia, “Titan”, de Mahler.

Um mês depois, em 24 e 25 de fevereiro, Hannu Lintu regressará para dirigir o Coro e a Orquestra Gulbenkian no Requiem, de Fauré, em obras de “duas grandes compositoras”: Sofia Gubaidulina e Lili Boulanger. Da primeira, será interpretado “Offertorium”; da segunda, a primeira mulher a ganhar o Prix de Rome, o “Pie Jesu”.

Na programação da orquestra consta ainda o regresso do anterior maestro titular Lorenzo Viotti, para dirigir o Concerto para violino e orquestra de Alban Berg, “À Memória de Um Anjo”, com Isabelle Faust como solista, “uma das maiores violinistas da atualidade”. A segunda parte do concerto será preenchida com o poema sinfónico “Pelleas und Melisande”, de Schoenberg. Este programa será apresentado nos dias 19 e 20 de maio.

Na semana seguinte, nos dias 26 e 27, Viotti apresenta a sua leitura da “Missa de Requiem”, de Verdi, “uma das mais belas obras sacras ocidentais”. A meio-soprano Marina Viotti, o tenor Joshua Guerrero e a soprano Adriana González, são os solistas.

A estreia em Portugal de “A Stroll”, concerto para trombone de Chick Corea, “constitui um momento especial na temporada”, segundo a Gulbenkian. A obra será apresentada em Lisboa, nos dias 12 e 13 de maio, e resulta de uma encomenda conjunta da Orquestra Sinfónica do Estado de São Paulo e da Gulbenkian, com a Filarmónica de Nova Iorque e a Filarmónica de Helsínquia.

O trombonista Joseph Alessi, que sugeriu a obra ao compositor, junta-se à Orquestra Gulbenkian, dirigida por Giancarlo Guerrero, para esta primeira audição em Portugal. O concerto compreende cinco andamentos, inspirados no movimento urbano de Nova Iorque, mas também em danças, como valsas e tangos. O programa inclui ainda “Um Americano em Paris”, de George Gershwin, e as “Danças Sinfónicas” de “West Side Story”, de Leonard Bernstein.

Um dos andamentos “A Stroll”, “Hysteria”, foi escrito já no início da pandemia e, segundo Chick Corea, citado por Alessi, na apresentação feita em São Paulo, remete para “o caos do mundo naquele momento”.

“A Stroll” é uma das últimas obras do compositor e pianista, nome histórico do jazz, que morreu no início do ano.

A “Sinfonia do Novo Mundo”, de Dvorák, inspirada na vivência em Nova Iorque do compositor, no final do século XIX, será dirigida pelo maestro Gábor Káli, nos dias 03 e 04 de março. O programa inclui o “Concerto Romeno” e o Concerto para violino, de Ligeti, com o violinista André Gaio Pereira, como solista.

Um mês depois, nos dias 07 e 08 de abril, o maestro Nuno Coelho dirigirá a Orquestra Gulbenkian, nas “Quatro Últimas Canções”, de Richard Strauss, pela soprano Camilla Tilling, a que junta a Sinfonia n.º 4 e “Gesange der Parzen”, de Brahms.

A programação do Coro Gulbenkian abre a 04 de janeiro, sob a direção de Inês Tavares Lopes, com obras de Whitacre, Britten, Mendelssohn, Reger, Tallis, Holst, Beach, Poulenc, Quartel, Schumann, Stanford e Rossini. Dois dias depois será a vez do Concerto de Ano Novo (06 e 07 de janeiro), com a soprano Julie Fuchs e a maestrina Clelia Cafiero, num programa a anunciar.

Quanto à música de câmara, destaca-se o Festival dos Quartetos de Cordas, no fim de semana de 22 e 23 de janeiro. Feito numa parceria com a Bienal de Quartetos de Cordas da Philharmonie de Paris, reúne “algumas das mais conceituadas formações da atualidade”: Cuarteto Casals, Jerusalem Quartet, Borusan Quartet, Quatuor Danel e o Marmen Quartet, além do Quarteto Tejo, composto por André Gaio Pereira e Tomás Soares (violinos), Sofia Silva Sousa (viola) e Beatriz Raimundo (violoncelo).

O Quarteto Tejo, que atuará no dia 22, fará a estreia do Quarteto de Nuno Costa, encomendada pela Fundação Calouste Gulbenkian. O compositor estudou em Roma, na Academia Nacional de Santa Cecilia, com Ivan Fedele, depois da formação no Conservatório de Antuérpia, com Wim Henderickx, e na Escola Superior de Música, Artes e Espetáculo, no Porto, com Eugénio Amorim.

A programação integral da temporada pode ser consultada na totalidade em gulbenkian.pt/musica/, a partir das 10h00.

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