Ministro da Cultura recorda Manuel Gusmão. "Extraordinário poeta"

Numa nota de pesar divulgada na rede social X (antigo Twitter), o ministro da Cultura sublinhou que Manuel Gusmão, que morreu hoje em Lisboa, aos 77 anos, é “um dos nomes maiores das letras portuguesas contemporâneas”.

“Gusmão foi ao mesmo tempo um extraordinário poeta e um ensaísta brilhante, que nos deixa chaves de leitura indispensáveis para a compreensão da poesia portuguesa do século XX – de Pessoa a Herberto Helder, passando por Ruy Belo, Fiama ou Carlos de Oliveira”, realçou.

Pedro Adão e Silva apontou ainda que Manuel Gusmão foi também “um professor invulgar, com uma obra decisiva no domínio da teoria literária e uma reflexão acutilante sobre o que significa pôr os estudantes a pensar sobre aquilo que leem”.

Nascido em Évora, no dia 11 de dezembro de 1945, Manuel Mendes Nobre de Gusmão licenciou-se em Filologia Românica, em 1970, pela Universidade de Lisboa, com uma tese sobre “Fausto”, de Fernando Pessoa, e doutorou-se em Literatura Francesa, com outra sobre a poética de Francis Ponge, em 1987, de quem traduziu também vários poemas para língua portuguesa.

Manuel Gusmão foi politicamente ativo desde os tempos universitários, tendo sido membro do Comité Central do Partido Comunista Português, deputado à Assembleia Constituinte (1975/1976), membro do Conselho da Comunicação Social e, em 2004, mandatário ao Parlamento Europeu.

Dirigiu a revista a revista Caderno Vermelho, do Setor Intelectual da Organização Regional de Lisboa do PCP, desde o primeiro número, em 1996.

Ao longo da sua carreira recebeu o Prémio do P.E.N. Clube Português para Melhor Obra de Poesia, em 1997, com “Mapas, o Assombro e Sombra”, o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores e o Prémio de Poesia Luís Miguel Nava relativos a 2001, com “Teatros do Tempo”, entre muitos outros.

Em 2004, recebeu o Prémio D. Diniz da Casa de Mateus e, em 2005, o Prémio Vergílio Ferreira da Universidade de Évora.

Em 2011 recebeu o Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho, por “Tatuagem e Palimpsesto: da Poesia em Alguns Poetas e Poemas”, e em 2014 o Prémio de Poesia António Gedeão, pelo “Pequeno Tratado das Figuras”.

Em 2019, foi distinguido com a Medalha de Mérito Cultural como reconhecimento do Governo português pelo “inestimável trabalho de uma vida dedicada à produção literária e à poesia, difundindo amplamente, em Portugal e no estrangeiro, a Língua e a Cultura portuguesas, ao longo de mais de cinquenta anos”.

Durante o seu percurso académico, Manuel Gusmão deu cursos, conferências ou ciclos de conferências, sobre cultura, literatura portuguesa ou literatura francesa nas Universidades de Colónia, Lovaina, Bolonha, Paris III, Veneza, Autónoma de Barcelona e, no Rio de Janeiro, na Universidade Federal e na Pontífica Universidade Católica.

Entre as obras que publicou, contam-se os ensaios “A Poesia de Carlos de Oliveira” e ” A Poesia de Alberto Caeiro”, e as obras poéticas “Dois Sois, A Rosa – A Arquitetura do Mundo”, “Mapas: o Assombro e a Sombra”, “Teatros do Tempo (1994-2000)”, “Os Dias Levantados”, “Migrações do Fogo”, “Mapas o Assombro a Sombra”, “A Terceira Mão” e “Pequeno Tratado das Figuras”.

Manuel Gusmão era pai do economista José Gusmão, deputado do Parlamento Europeu eleito pelo Bloco de Esquerda em 2019, e foi casado com a sindicalista e ex-dirigente da CGTP-Intersindical Isabel Figueiredo (1943-2023), que morreu no passado mês de janeiro.

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