Ministro quer reflexão sobre governação e estratégia da Casa da Música

“Julgo que há duas reflexões que é necessário fazer em torno da Casa da Música: uma primeira sobre o modelo de governação, até porque nos últimos tempos a Casa da Música já adotou várias soluções distintas, e em segundo, sobre aquilo que é a missão e estratégia da Casa da Música”, disse Pedro Adão e Silva, numa audição parlamentar, sobre o Orçamento do Estado para 2023.

De acordo com o ministro, “essa discussão vai iniciar-se no contexto do Conselho de Fundadores” e “naturalmente o Ministério da Cultura irá participar e indicará um representante para esse exercício, que só deve produzir resultados para o próximo Conselho de Administração”.

Este é o momento para se fazer essa reflexão, “porque a Casa da Música está num momento em que atinge a sua maioridade e porque se está a meio de mandato do atual Conselho de Administração”.

“Isto precisa de reflexão e de estratégia, e o meu compromisso é envolver-me nesta reflexão estratégica sobre a Casa da Música”, reforçou Pedro Adão e Silva, que confirmou já se ter reunidos duas vezes com a administração da fundação.

O ministro da Cultura revelou ser “daqueles que [acham] mesmo que a Casa da Música é uma instituição muito singular e que merece toda a atenção”. “Singular porque é uma instituição, e nisso é única no país, exclusivamente dedicada à música, e porque tem uma história e uma inserção regional, uma história precisamente de relação entre público e privado na Cultura”, disse.

Em 24 de outubro, o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, disse ter tido uma reunião com o presidente do Conselho de Fundadores da Casa da Música, que lhe tinha dado “nota de que o ministro da Cultura terá dito que gostaria que fosse criada uma comissão para avaliar o modelo e missão da Casa da Música”. “Parece-me que o sr. ministro está a fazer algo bem feito”, afirmou o autarca, durante uma reunião de Câmara.

Hoje, Pedro Adão e Silva lembrou que “o presidente da Câmara Municipal do Porto já deu conta dessa iniciativa”, de se refletir sobre o modelo de governação, a missão e a estratégia da Casa da Música.

“Eu não a tinha publicitado nestes moldes, mas a verdade é que tenho colocado empenho e tenho dedicado atenção à Casa da Música. Já tive duas reuniões com o Conselho de Administração, como saberão é um Conselho de Administração com sete administradores, o Estado só indica dois, que são não executivos”, disse hoje aos deputados.

Pedro Adão e Silva recordou que a Casa da Música “passou por várias vicissitudes nos últimos longos anos, uma década: primeiro o corte brutal que as fundações no perímetro da Cultura sofreram, e depois a pandemia, e esse processo de recuperação ainda decorre”.

O ministro da Cultura voltará a falar sobre a Casa da Música no parlamento, depois de ter sido aprovado, em 25 de outubro, um requerimento do Bloco de Esquerda (BE) a pedir uma audição do governante e do Conselho de Administração da fundação para prestarem esclarecimentos sobre um “conjunto de problemas” naquele equipamento cultural.

A Casa da Música, no Porto, é o primeiro edifício construído em Portugal exclusivamente dedicado à Música. O investimento do Estado português para a sua construção foi de 111 milhões de euros, disponibilizando ainda um financiamento público anual, que foi de 10 milhões de euros em 2021.

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