Museu de Arte Antiga adquire pintura do pai de Josefa de Óbidos

Trata-se de uma “Natureza Morta com aves, peixe e prato com flores e frutos”, que entra na coleção do museu após uma campanha de subscrição pública que decorreu entre maio de 2021 e este mês, indicou fonte da comunicação do museu, contactada pela agência Lusa.

De acordo com a mesma fonte, esta é a primeira obra do artista Baltazar Gomes Figueira, natural de Óbidos, conhecido por ser pai e mestre de uma das mais destacadas pintoras da história da arte antiga portuguesa, Josefa de Ayala, conhecida por Josefa de Óbidos.

Esta natureza morta do século XVII pertencia a uma coleção particular espanhola, que contactou o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) através de um antiquário, para saber do interesse da compra.

A aquisição viria a ser feita através dos donativos recolhidos durante uma campanha pública de recolha de fundos promovida pelo Grupo de Amigos do Museu.

Para o MNAA, foi a oportunidade de adquirir uma obra “muito importante e de um nome fundamental da arte portuguesa”, que passasse a representar – pela primeira vez – no museu, este artista do barroco seiscentista, com aprendizagem em Sevilha, junto de Francisco Herrera, el Viejo.

Dessa cidade, à época, o mais florescente centro da pintura espanhola, trouxe Baltazar a experiência da pintura de paisagens e de naturezas-mortas, “de que foi o introdutor em Portugal e, juntamente com a sua filha, o melhor cultor”, segundo o museu.

Para assinalar a aquisição, o MNAA acolhe, na sexta-feira, no seu auditório, às 17:30, com entrada livre, duas palestras sobre a figura e a obra de Baltazar Gomes Figueira, a cargo de dois historiadores da arte barroca, o professor catedrático Vítor Serrão, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e o professor Benito Navarrete Prieto, da Universidade de Alcalá, em Espanha.

“A modernidade artística de Baltazar Gomes Figueira (1694-1674), pintor celebrado e pai de Josefa de Óbidos” é o título da palestra de Vítor Serrão, enquanto “Naturezas mortas e vida quieta na pintura sevilhana do primeiro naturalismo” será o tema desenvolvido por Benito Navarrete Prieto.

Criado em 1884, o MNAA alberga a mais relevante coleção pública do país em pintura, escultura, artes decorativas — portuguesas, europeias e mundiais–, desde a Idade Média até ao século XIX, incluindo o maior número de obras classificadas como “tesouros nacionais”, assim como a maior coleção de mobiliário português.

No acervo encontram-se, nos diversos domínios, algumas obras de referência do património artístico mundial, nomeadamente, os Painéis de São Vicente, de Nuno Gonçalves, obra-prima da pintura europeia do século XV.

Também detém a Custódia de Belém, obra de ourivesaria de Gil Vicente, mandada lavrar pelo rei Manuel I, datada de 1506, e os Biombos Namban, do final do século XVI, registando a presença dos portugueses no Japão.

O tríptico “As Tentações de Santo Antão”, de Hieronymus Bosch, “Santo Agostinho”, de Piero della Francesca, “A Conversação”, de Pietr de Hooch, e “São Jerónimo”, de Albrecht Dürer, estão entre as mais conhecidas obras do museu.

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