Museu de Soares dos Reis mostra 96 desenhos do Renascimento

A exposição “Desenhos de Mestres Europeus em Coleções Portuguesas II: Itália e Portugal”, com curadoria de Nicholas Turner, abre hoje ao público e fica patente por três meses, até 31 de dezembro, “o tempo máximo aconselhado para expor um desenho”.

Segundo o diretor do Museu Nacional de Soares dos Reis (MNSR), António Ponte, esta é uma mostra que marca “um momento muito importante na história” do museu e que antecede a abertura da exposição de longa duração, no início do próximo ano.

“Esta é uma grande exposição de desenho português e italiano, apresenta um catálogo que nos faz uma revisão e atualização da informação sobre esta tipologia de trabalho, sobre a forma como estes desenhos são vistos hoje pelo meio académico internacional”, explicou o responsável.

Aquele catálogo, com cerca de 240 páginas, é organizado pelo curador da exposição, Nicholas Turner, historiador de arte independente, com quase 50 anos de experiência como especialista em desenhos e pinturas dos Antigos Mestres.

Da pena, estilete, giz branco à aguada, sanguínea, passando pela tinta castanha (a mais utilizada), aquilo “que às vezes parece carvão, mas que se chama pedra negra”, esta coletânea de desenhos “tem de tudo”.

“A exposição está dividida em quatro núcleos, que são ao mesmo tempo territoriais e cronológicos. É possível traçar uma evolução [cronológica] não só pelo tema do desenho, mas como pelo estilo do próprio desenho, ou pela temática, que vai evoluindo, ou pelo tipo de desenho, de risco”, explicou a comissária executiva, Ana Mântua.

Ao longo da sala, em paredes com vários tons de uma palete cor-de-rosa, “especialmente escolhidos para dividir os núcleos e diferenciá-los”, há dois núcleos dedicados aos desenhos da época renascentista, um português, o outro de Itália, e mais duas áreas, uma dedicada ao traço do século XIX em Portugal e a quarta ao mesmo período italiano.

Ana Mântua destacou que esta é uma exposição com regras “mais rígidas” devido “à fragilidade das obras”, que, por isso, tem que obedecer a regras especificas: “Os desenhos são obras muito sensíveis. Uma exposição de desenhos nunca poderá ter mais do que três meses porque os desenhos sofrem com a exposição à luz, são necessários muitos cuidados porque a degradação pela luz é irreversível”.

A responsável destacou algumas das obras e autores expostos na penumbra da sala, como a única obra de Leonardo da Vinci em Portugal, pertença do acervo do Museu da Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto, “raramente exposto” que, “curiosamente só foi atribuído ao artista italiano em 1978”.

Além de da Vinci, estão expostos desenhos de Francisco de Holanda, “um visionário, um verdadeiro homem do renascimento, que conviveu com Rafael ou Miguel Ângelo em tertúlias organizadas pela importante mecenas Vitória Colona e que fez a primeira relação” entre Itália e Portugal.

“Temos um dos livros de Francisco de Holanda, que tem um desenho da vista de Lisboa, com propostas para melhorar o sistema de fortificação e a construção de um hipódromo, que o autor dedica a D. Sebastião, mas o rei estava mais preocupado em ir lutar para Alcácer Quibir do que em fazer alterações em Lisboa”, contextualizou.

Outro mestre cujo traço se pode apreciar é António Domingos Sequeira: “São desenhos de estudos para a obra sobre o Juízo Final e a ‘Adoração dos Pastorinhos’, em que vemos um desenho completamente contemporâneo, como se estivéssemos a ver um artista do nosso tempo”, descreveu.

A exposição “Desenhos de Mestres Europeus em coleções Portuguesas II: Itália e Portugal” está aberta ao público de terça a domingo, das 10:00 às 18:00.

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