Novo romance de Kazuo Ishiguro chega a Portugal em março

Klara and the Sun” vai ter publicação simultânea com a edição inglesa, que sairá no dia 2 de março, disse à Lusa a editora Gradiva, que, desde 1991, publica a obra do escritor britânico de origem japonesa.

Segundo a editora, o novo livro do autor de “Os Despojos do Dia” já está em fase de revisão.

Klara é uma amiga artificial com capacidades de observação extraordinárias, que, do seu lugar na loja, observa cuidadosamente o comportamento de todos os que entram e de todos os que passam na rua lá fora.

Ela alimenta a esperança de que um cliente a escolha em breve, mas quando surge a oportunidade de as suas circunstâncias mudarem para sempre, é avisada para não investir demasiado nas promessas dos humanos, segundo a sinopse divulgada pela editora britânica Faber, que acrescenta ser este um romance que levanta a questão: “O que significa amar?”.

O diretor editorial da Faber, Angus Cargill, citado pelo jornal The Guardian, afirmou que este é um “romance sobre o coração humano que fala urgentemente ao aqui e agora, mas a partir de outro lugar”.

“Como sempre, a escrita de Ishiguro consegue ser ao mesmo tempo emocionantemente surpreendente e consistente com todo o seu corpo de trabalho”, acrescentou, descrevendo este livro como “espantoso”.

O romance anterior de Kazuo Ishiguro, “O Gigante Enterrado”, publicado em 2015, foi ambientado numa versão ‘semi-mítica’ da antiga Grã-Bretanha, lar de ogres e dragões, e segue um casal de idosos que parte numa viagem em busca do seu filho adulto, que não vê há anos.

Este romance explora a forma como a memória se relaciona com o esquecimento, a história com o presente e a fantasia com a realidade.

Em 2005, o seu romance “Nunca me deixes”, uma parábola de ficção científica ambientada numa versão distópica da Inglaterra, foi finalista do prémio Booker.

Em Portugal, além daqueles dois, Kazuo Ishiguro tem ainda mais quatro livros publicados pela Gradiva: “Os Despojos do Dia” (1991), vencedor do prémio Booker, “Os Inconsolados” (1995), “Quando Éramos Órfãos” (2000), este também finalista do Prémio Booker, e o livro de contos “Nocturnos”.

Antes disso, já tinham sido publicados, em 1990, os livros “As colinas de Nagasáqui“, pela Relógio d’Água, e “Um artista do mundo transitório”, pela Livro Aberto.

Aquando da atribuição do prémio Nobel, o júri da academia sueca destacou que todo o trabalho de Kazuo Ishiguro é marcado pelos temas da memória, tempo e ilusão, mas também por influências musicais e algumas notas de fantástico.

Deixe um comentário