"O meu espetáculo é mais que apresentação de música, tem todo um mundo"

A violinista Ianina Khmelik da Orquestra Sinfónica do Porto lançou, em agosto, o seu primeiro disco a solo, o ‘RaiVera’, sob o nome artístico IAN.

Em tempos de pandemia (e de confinamento) os concertos de apresentação do novo trabalho foram sendo adiados, mas a jovem russa não perdeu a esperança, nem o foco. Continuou a tocar, a criar e a sonhar com o regresso aos palcos, o que acontece já este mês de junho.

Antes dos concertos, IAN esteve à conversa com Notícias ao Minuto onde revelou como lidou com o aparecimento da Covid-19 e com o cancelamento da Cultura, e o que espera oferecer aos fãs que vão assistir aos seus próximos espetáculos.

Como é que uma violinista da Orquestra Sinfónica se transforma numa artista com um estilo tão arrojado, que junta pop, trip hop, eletrónica e sonoridades sinfónicas contemporâneas?

Não é muito difícil, tendo em conta o reportório que a Orquestra Sinfónica tem executado ao longo da última década. Tocamos e estreamos muita música contemporânea que tem uma componente eletrónica, por vezes muito forte. Trabalhamos lado a lado com os próprios compositores. É incrivelmente inspirador para quem procura e se interessa por novas linguagens musicais. O gosto pela Pop ou Trip-Hop ou música eletrónica, olhando para trás, acho que já nasceu comigo…

Quando é que começou a sentir vontade de fazer algo diferente do que fazia na Orquestra?

Creio que essa vontade sempre houve, teve um caminho e desenvolvimento natural chegando até à meta que é a própria IAN. Desde adolescente que procurava tocar com bandas de estilos completamente diferentes, estava a conhecer-me.

Pouco tempo depois de ter lançado o seu primeiro álbum a solo, o mundo ficou confinado devido a uma pandemia. Como tem lidado com este facto? Sente que a sua carreira está em ‘stand by’?

De todo, não. Claro que a pandemia assustou-nos a todos, fez conter a respiração e pensar pausadamente, mas como nunca parei de criar e de tocar, sei que com mais ou menos esforço atingirei os objetivos desejados!

Finalmente, vai poder começar a apresentar o ‘RaiVera’ em junho. Está ansiosa pelos concertos?

Muito. O meu espetáculo é muito mais do que uma apresentação da música que compus e gravei, envolve uma narrativa, vídeo, luz, gestos, falas, tem todo um mundo.

O que é mais desafiante para si? Tocar na Orquestra ou atuar a solo?

São desafios completamente distintos, mas ambos vitais para mim. Enquanto que na orquestra tento perceber a composição dos outros e executá-la da melhor maneira, na IAN concretamente o desafio é fazer chegar as minhas composições e o meu interior musical e pessoal, comunicar, envolver-me com o público.

Mudou-se para Portugal quando era ainda uma adolescente. A que se deveu essa mudança?

Questões familiares, pensar num futuro melhor, sobretudo da minha mãe, a quem sou eternamente grata.

O que gosta mais em Portugal?

Acima de tudo agradeço a Portugal por me dar oportunidade de conhecer o mundo, mas também adoro as pessoas, é um povo bondoso acima de tudo.

E do que tem mais saudades na Rússia? Costuma lá voltar muitas vezes?

Continuo a ter família lá e por isso vou lá regularmente, sim. Infelizmente com a pandemia já não vou há mais de um ano, mas o que me preenche a alma quando lá chego é passear pelas ruas amplas e monumentais da cidade onde nasci – Moscovo.

E para terminar, onde e quando são os próximos concertos?

Os concertos de apresentação do meu álbum RAIVERA serão no dia 6 de junho, às 18h00, na Casa da Música, no Porto, e no dia 8 de junho, às 20h00, no Teatro Maria Matos, em Lisboa. Vemo-nos lá?!

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