Padrão dos Descobrimentos mostra projetos do Estado Novo para Belém

Esta mostra, que abre ao público no domingo, em Lisboa, é “a segunda parte” da exposição inaugurada no passado mês de maio – “Sombras do Império. Belém, – Projetos, Hesitações e Inércia. 1941-1972” – que “revisita alguns projetos do Estado Novo para a Praça do Império e orla ribeirinha de Lisboa”.

Esta primeira parte deu a conhecer a sucessão de planos urbanísticos e projetos de arquitetura que tiveram como centro a Praça do Império.

A segunda apresenta “um percurso cronológico centrado nos projetos para a Praça do Império e área envolvente e para os designados ‘Palácio do Ultramar’ e ‘Museu do Ultramar’, considerando ainda outras propostas para grandes edifícios públicos a localizar na orla ribeirinha de Lisboa”, fruto de uma investigação de desenhos e memórias descritivas, pareceres, ofícios, legislação, fotografias, bibliografia da época, e de “investigação académica recente”.

“Menorizados ou até esquecidos pela historiografia, estes projetos revelam-se hoje particularmente significativos, pela escala e natureza das transformações que anteviam, pela orientação programática que preconizavam, pelo investimento de meios que implicariam, pela extensão do seu período de elaboração, em contraponto com o pouco que foi concretizado”, afirma a organização.

A coordenação científica da exposição é de João Paulo Martins, mestre em História da Arte, doutorado em Arquitetura e membro do Centro de Investigação em Arquitetura, Urbanismo e Design.

Os projetos são “a base para abordagens diversas e complementares, apresentadas por investigadores de diferentes formações disciplinares, que irão aprofundar a contextualização e ensaiar propostas de leitura crítica: Urbanismo, Arquitetura, Paisagismo, Arte Pública, Património, Propaganda e Ideologia Coloniais”.

A exposição propõe a revisão de algumas realizações integradas nos planos para a zona, designadamente a envolvente da Torre de Belém e a sua extensão à ermida de São Jerónimo, no Restelo, o Museu de Marinha com o Planetário, anexo ao Mosteiro dos Jerónimos, e a reconstrução do Padrão dos Descobrimentos, sobrepondo-se ao projeto vencedor do concurso para um monumento ao Infante D. Henrique, a materializar no promontório de Sagres, no Algarve.

A semelhança da primeira parte da exposição, a segunda também está organizada em sete núcleos.

Na abertura, encontra-se uma “Cronologia 1941 -1972”. Seguem-se, depois, “Da Praia do Restelo à Praça do Império”, “Exposição do Mundo Português e mais além”, “Uma praça para o Império todo”, “Da Torre de Belém”, “Monumento de Sagres e Padrão dos Descobrimentos”, “Museu de Marinha”.

A organização da exposição, coordenada por João Paulo Martins, contou com o trabalho de uma equipa de investigadores composta pelos professores e historiadores de arte Joana Brites, da Faculdade de Letras e do Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade de Coimbra, Natasha Revês, do Instituto de História da Arte/Estudos de Arte Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais de Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-Nova), Pedro Rito Nobre, mestre em Património, variante Património Urbano, também da FCSH-Nova, assim como Sofia Diniz, mestre em História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa pela FSCH-Nova, além do arquiteto paisagista Sebastião Carmo-Pereira, com um percurso de trabalho desenvolvido com Gonçalo Ribeiro Telles, João Gomes da Silva e Falcão de Campos.

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