Peça ‘Quem vai ao mar’ leva duas amigas numa viagem à procura dos sonhos

‘Quem vai ao mar’ é uma aventura vivida no mar por duas amigas, uma bastante mais corajosa que a outra, ou pelo menos parece, e que quer correr riscos e aventuras, enquanto a outra está sempre assustada e a pensar que talvez o melhor fosse ficar em casa.

As duas amigas partem num barco à procura da terra dos sonhos e quando chegam a meio da viagem descobrem que talvez essa terra se chame Panamá, pelo que vão seguindo, numa tentativa de chegarem ao destino, o que acaba por não acontecer.

Quando regressam da viagem, as duas amigas apercebem-se que, se calhar, para uma delas, a que tinha mais medo, a terra dos sonhos estava ali mesmo ao alcance delas e era o sítio onde viviam.

As amigas acabam também por ficar a saber que, para algumas pessoas, a terra dos sonhos pode estar muito longe e há que percorrer um caminho grande para a encontrar.

Para outras, está ao alcance de uma mão: basta aperceberem-se disso.

Por isso, “Quem vai ao mar” acaba também por mostrar que há vários tipos de pessoas: umas para quem as coisas boas estão sempre longe e são difíceis de alcançar, enquanto outras estão satisfeitas com o que têm e isso não tem necessariamente de ser um problema.

“No fundo, é aceitar essas maneiras diferentes de ver a vida”, disse Catarina Requeijo a propósito da peça que vai estar em cena no Salão Nobre do Teatro Nacional D. Maria II.

Num cenário construído por Fernando Ribeiro, que já o ano passado realizara o de outro espetáculo do ciclo Boca Aberta — ‘Juro que é mentira’ –, o barco resulta do reaproveitamento do material deste espetáculo cuja ação se situava numa floresta.

Uma decisão que resulta da ideia de reciclar, repetir ou reaproveitar coisas que fizeram noutros espetáculos, porque uma das premissas que preside ao Boca Aberta é a de “que uma coisa pode ser muitas coisas”, frisou Catarina Requeijo.

Há, pelo menos, uma lição a tirar do “Quem vai ao mar”. É que se regressa sempre diferente depois de se fazer uma viagem. O que “importa é a viagem, é o processo”, sublinhou Catarina Requeijo, equiparando as viagens a outras situações como “as várias etapas do crescimento”.

“O objetivo final é passar pelas coisas. Com medo, com coragem, com alguma desconfiança, cada um faz o seu caminho à sua maneira, mas todos fazemos caminhos que nos tornam diferentes”, frisou.

O projeto Boca Aberta é uma parceria do D. Maria II com a Câmara Municipal de Lisboa iniciada em 2016, que envolvia jardins de infância da rede pública da área envolvente do teatro e que se destinava a levar histórias encenadas às crianças.

Ao longo dos anos, o projeto foi-se expandido por vários jardins de infância e este ano atingiu todos os jardins de infância da rede pública de Lisboa.

Atualmente a parceria abrange também a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e o Centro Universitário Hospitalar de Lisboa Central.

‘Quem vai ao mar’ é um espetáculo para crianças com mais de 3 anos e tem interpretação de Ana Valente e Sandra Pereira e os figurinos são de Fernando Ribeiro.

O espetáculo está em cena até 04 de dezembro e regressará à cena de 08 a 22 de janeiro de 2022. As sessões são sempre às 16:00 e a récita de 08 de janeiro terá interpretação em Língua Gestual Portuguesa e audiodescrição.

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