Pimenta Caseira editam álbum de estreia feito de "luxúria instrumental"

“O nosso lema sempre foi ‘nunca uma brincadeira foi levada tão a sério’, porque começou de uma forma descomprometida, e as pessoas podem, a partir de hoje, ouvir essa despreocupação”, afirmou Fred Martinho, um dos elementos dos Pimenta Caseira, em entrevista à agência Lusa.

Pimenta Caseira começou, em 2014, como uma residência às terças-feiras no Tokyo, na ‘rua cor de rosa’ do Cais Sodré, de Fred Martinho, músico dos HMB.

Com passado de música instrumental com os Groove 4Tet, “algo mais conservador em termos sonoros”, Fred Martinho estava “à procura do som seguinte”.

“Aproveitei para transformar a residência [no Tokyo] num laboratório, onde pudesse, com outros músicos, ir à procura desse som”, recordou.

As terças-feiras eram aproveitadas para, “sem qualquer regra, fazer música”.

A “banda fixou-se em 2015” com Gui Salgueiro, Ariel Rosa e Zé Maria, com quem Fred Martinho acabou por chegar à “luxuria instrumental” que é o som de Pimenta Caseira.

“Os ingredientes são R&B, soul, funk, novo funk eletrónico, lo-fi, jazz, por causa de toda a improvisação e ‘background’ que temos, e um bocado de beatmaking, porque é como se estivéssemos a tentar fazer beats ao vivo e até um DJ set, os concertos são como se fossem um DJ set, porque as músicas colam-se umas nas outras, quase sempre sem ‘setlist’ – vamos olhando uns para os outros e vamos decidindo”, descreveu.

Fred Martinho conta que a sua abordagem no coletivo “foi mudando, tentando que a guitarra soasse cada vez menos a guitarra, para tentar transformá-la num outro som”.

A dada altura, já depois da residência, passou também a criar som através de “um sintetizador que dispara som para uma caixa estanque de metal e o som sai por um tubo, a pessoa mete o tubo na boca e tem que modelar o som sem ativar as cordas vocais”.

O mesmo aconteceu com os outros músicos. “O Zé Maria começou por tocar saxofone, mais tarde trouxe um sintetizador, que depois passou a ser um ‘keytar’ (teclado que se toca como se fosse uma guitarra) e depois introduziu o ‘vocoder’, e começámos a explorar esse universo de poder tocar canções de uma maneira original”, recordou.

Em Pimenta Caseira não há um baixista, “o Gui Salgueiro faz baixo num sintetizador”, e o baterista, Ariel Rosa, “foi à procura do kit final, entre bateria tradicional e bateria eletrónica”.

Gravar um disco “nunca foi um objetivo” do coletivo, que pretendia apenas, “semana após semana, fazer, de uma forma o mais honesta possível, aquelas duas/três horas de música”.

Depois de “dois anos no Tokyo, ‘festas avulso’ no Musicbox e [de] uma residência de três meses no Rive Rouge”, surgiu a “vontade de gravar, de congelar o som” que criavam.

“Fomos para estúdio em fevereiro de 2020, depois entrou a pandemia e estamos agora aqui a continuar a caminhada”, referiu.

“Cais Vol.1”, que conta com a participação de Luís Cunha e Pité, é composto por onze temas: dez originais e uma versão de “Devia ir”, dos Wet Bed Gang.

“Na última residência começámos a tocar essa canção, porque terminávamos muito perto das quatro da manhã”, referiu Fred Martinho, lembrando que no refrão se ouve “às quatro da manhã, eu não devia ir mas a cabeça só diz ‘go’, ‘go’, ‘go'”.

A maioria dos temas são da autoria de Zé Maria e os arranjos foram feitos em coletivo.

Depois de um concerto na semana passada no festival Super Bock em Stock, em Lisboa, os Pimenta Caseira apresentam “Cais Vol.1” no dia 01 de dezembro na plataforma digital A Casinha (www.liveacasinha.pt).

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