Poeta Fernando Aguiar distinguido no Prémio Bernard Heidsieck

 

Fernando Aguiar, nome chave na poesia visual e experimental em Portugal, que tem atualmente uma exposição com obras inéditas na Ato Abstrato — Galeria de Arte, em Lisboa, fez recentemente a curadoria da exposição “Ana Hatherly — Desenhar é falar com o silêncio”, patente no Museo Vostell Malpartida, em Espanha, artista de quem possui um considerável acervo no seu arquivo.

O júri do prémio, que definiu Fernando Aguiar como uma das “mais destacadas” personalidades na poesia experimental, destacou as suas ‘performances’ poéticas, pela “construção metódica e semântica através do movimento”, com apelo a “objetos, som, iluminação, letras e palavras, onde todos os sinais visuais e linguísticos são esteticamente usados para criar uma nova linguagem”.

“As suas atuações são simultaneamente de poesia visual – uma vez que se baseiam numa ordenação no espaço de letras e palavras – e ‘performance’, através do jogo do corpo e da sua importância na revelação gradual do significado” de cada obra.

Nascido em Lisboa, em 1956, publicou mais de três dezenas de livros e realizou cerca de 40 exposição individuais em diversos países, nomeadamente, em Portugal, no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa) e na Casa de Serralves (Porto).

Expôs também no Japão, no Tokyo Metropolitan Art Space, nos Estados Undios, no Mexic-Arte Museum (em Austin, Texas), em França, no Musée D’Art Contemporain (Marselha), e em Epanha, no Círculo de Bellas Artes (Madrid), entre outras instituições.

Participou na secção “Extra 50” da 50.ª Bienal de Veneza, e na 8.ª Bienal de Havana.

É autor do “Soneto Ecológico”, uma obra de ‘land-poetry’ constituída por 70 árvores plantadas em 14 filas de cinco árvores, numa área aproximada de 110×36 metros, instalada em Matosinhos, em 2005.

Fernando Aguiar possui um arquivo constituído por cerca de 2.500 originais de poesia visual, e cerca de 50 mil documentos relacionados com poesia experimental e visual, e áreas como a arte conceptual, ‘performance’ e arte postal.

O Prémio de Honra Bernard Heidsieck – Centro Pompidou 2021, que distingue um poeta pelo conjunto da obra, foi este ano atribuído à autora sérvia Katalin Ladik (1942), considerada pelo júri “figura maior e histórica da poesia experimental”.

O Prémio Literário Bernard Heidsieck — Centro Pompidou 2021, que distingue um autor pela sua criação literária, além da edição em livro, foi atribuído à artista croata Nora Turato (1991).

O Prémio Bernard Heidsieck — Centre Pompidou tem sido atribuído a autores internacionais como Lamberto Pignotti, Jonh Giorno, Alain-Arias Misson, Richard Kostelanetz ou Clemente Padin.

Bernard Heidsieck (1928-2014) foi um poeta experimental e sonoro, e esteve em Portugal em 1987 para participar no Simpósio do 1.º Festival Internacional de Poesia Viva, no Museu Municipal Santos Rocha, na Figueira da Foz.

Leia Também: ‘The Crown’ domina Emmys, ‘Ted Lasso’ vence comédia

Deixe um comentário