Prémio Acesso Cultura para o Centro Champalimaud e Casa Fernando Pessoa

A associação Amigos do Coliseu do Porto foi distinguida com uma menção honrosa pelo texto “Circo de Natal! Ilusionismo: Telepatia”.

O objetivo do Grupo de Comunicação, Eventos e Outreach do Centro Champalimaud, com “Vais ou ficas?”, era divulgar projetos de investigação em curso, junto do público jovem e adulto.

“No texto ‘Vais ou ficas’ somos transportados para o lugar do/a cientista que é assaltado/a por uma dúvida. Não é um texto sobre resultados científicos, mas sobre a forma como a eles se chega. Seguindo as mesmas etapas do método científico, partimos de uma pergunta para a experiência e terminamos com mais dúvidas, porque o projeto está em aberto”, explica o júri, composto pela historiadora Elsa Santos Alípio, a consultora Joana Fernandes, especializada em Linguagem Clara, e a diretora de comunicação do Teatro do Bairro Alto, Rita Tomás.

De acordo com a justificação do júri, apesar da complexidade do assunto, a curiosidade mantém-se do início ao fim do texto graças à forma clara como está escrito: frases curtas, palavras conhecidas, aliadas a uma animação e design simples, mas certeiros.

“No final do texto, com a curiosidade espicaçada, queremos continuar no lugar do/a cientista e não resistimos a espreitar o ‘projeto seguinte'”, acrescenta.

Relativamente ao texto “Vivem em nós inúmeros”, os membros do júri começam por explicar que, quando a Casa Fernando Pessoa decidiu repensar a sua exposição, propôs-se comunicar com visitantes vindos de diferentes contextos e com diferentes graus de conhecimento sobre o autor, o que conseguiu com este texto, que “conta uma história e permite a quem lê compreendê-la e relacionar-se com ela”.

“Os apontamentos biográficos guiam-nos e aproximam-nos, com leveza e tato, de uma explicação do difícil conceito de ‘heterónimo’ – uma tarefa que à luz deste texto quase parece fácil. Mas não é. Criar este percurso, sem perder a leveza e quem nos segue com menos competências de leitura, é uma tarefa difícil”, destacam.

Na opinião do júri, foram escolhidas palavras simples, não existindo no texto termos que não pudessem ser usados no dia a dia, e foram construídos frases e parágrafos curtos.

“O texto que daqui resulta pode ser lido mesmo por quem nunca tentou ler Pessoa. E isso pode ser o início de uma aproximação. É também para isso que serve a linguagem clara”.

Quanto à menção honrosa, o júri destacou a oportunidade do Jogo-Programa criado pela Associação Amigos do Coliseu do Porto, em conjunto com o Balleteatro, para funcionar como um “Plano B” no caso do cancelamento do Circo de Natal, certame clássico da época e particularmente vocacionado para as crianças e para as famílias.

“Como nunca antes, a incerteza acompanhou-nos neste ano que decorreu, obrigando-nos a repensar espetáculos, exposições e até aniversários e celebrações como o Natal”, refere a nota do júri.

“A Hora do Circo”, assim se chamou o Jogo-Programa, era composto por vários textos, dos quais o júri destacou “Ilusionismo: Telepatia”: “Com uma linguagem acessível, inclusiva e direcionada para os mais jovens, auxiliado por um design cuidado e uma ilustração original, o texto ‘Ilusionismo: Telepatia’ é um manual de instruções para uma criança e um cúmplice executarem um truque de magia perante a plateia lá de casa. Um instrumento engenhoso e completamente analógico que, combinando uma história, a linguagem certa e uma ilustração, ajuda crianças e famílias a fazer uso da imaginação e a transformar qualquer lugar num circo”.

O júri justifica a escolha deste projeto “por entender o poder da linguagem para ativar a imaginação numa época com inúmeros desafios e por conseguir idealizar um objecto que vive para lá do espetáculo em si”.

À edição deste ano do Prémio Acesso Cultura — Linguagem Clara concorreram 44 textos de 18 entidades diferentes.

Em 2020, o prémio foi atribuído ao Instituto Gulbenkian de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, pela exposição “Science Alive”.

Criada em 2013, a Acesso Cultura, associação cultural, promove iniciativas sobre a acessibilidade à criação artística nos aspetos físicos, social e intelectual, e entrega anualmente um conjunto de prémios com o objetivo de distinguir entidades que apliquem boas práticas nesta área.

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