‘Primeiras Impressões de uma Paisagem’ de João Nisa abre 2021

A organização explica, em comunicado, que “a instalação vídeo, composta por seis projeções” e que vai estar patente até 27 de fevereiro de 2021, foi “concebida a partir de uma seleção do material do filme com o mesmo nome, atualmente em fase de conclusão”.

“Filmado no interior do Aqueduto das Águas Livres, nos arredores de Lisboa, o projeto de João Nisa assenta na utilização de um troço dessa estrutura arquitetónica como uma série de dispositivos de câmara obscura, de modo a elaborar um estudo da paisagem envolvente, mediado pelas características particulares da forma de produção das imagens”, lê-se no comunicado.

A instalação apresentada na Solar, acrescenta a organização, “propõe um percurso ao longo de um conjunto de projeções, procurando criar as condições para que cada uma delas possa ser apreendida em toda a sua singularidade, num contexto que acentua a forte dimensão percetiva e sensorial do projeto”.

Em ‘Intermitências’, no texto da brochura da exposição, Raymond Bellour afirma: “É espantoso, aliás, que fiquemos tão surpreendidos com aquilo que vemos quando fomos elucidados sobre o processo que permitiu a formação destas imagens, como quando o ignoramos completamente. A tal ponto o que é dado a ver constitui uma anomalia percetiva”.

‘Primeiras Impressões de uma Paisagem’ poderá ser vista nos espaços da Solar entre 09 de janeiro e 27 de fevereiro de 2021.

João Nisa nasceu em 1971, em Lisboa, onde vive e trabalha e tem vindo a desenvolver um trabalho no Aqueduto das Águas Livres, do qual a instalação ‘Primeiras Impressões de uma Paisagem’ e o “filme homónimo que se lhe seguirá constituem o primeiro resultado concreto”.

A organização acrescenta que, “paralelamente, no âmbito do Projeto Cave, dedicado à obra de artistas emergentes, estará também patente na Solar a instalação sonora ‘A intersecção entre a rua Augusta e a rua da Conceição no dia 2 de Abril de 2020’, de João Farelo, gravada durante o período de pandemia e que pretende mostrar como uma cidade continua a viver apesar das ruas desertas e do seu aparente adormecimento”.

João Nisa concluiu o curso de Cinema da Escola Superior de Teatro e Cinema (Lisboa), e a licenciatura e o mestrado em Ciências da Comunicação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

O artista dedicou-se à investigação das relações entre o cinema e a arte contemporânea, tendo escrito ensaios para publicações nacionais e internacionais sobre o trabalho de diversos cineastas e artistas.

“Foi [ainda] professor na Escola Superior de Artes e Design (Caldas da Rainha), onde lecionou, durante cerca de dez anos, disciplinas relacionadas com a história do cinema e com o vídeo e o cinema experimental. Realizou o filme ‘Nocturno’, uma descrição visual e sonora do espaço abandonado da antiga Feira Popular de Lisboa, exibido em diversos festivais internacionais e programas”, sublinha o comunicado da organização.

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