Público com adesão "cada vez maior" a espetáculos online

De acordo com um responsável da empresa Ticketline, a quebra no número de bilhetes vendidos, assim como no agendamento e criação de novos eventos, no arranque de 2021, comparado com o mesmo período de 2020, é “substancial e verdadeiramente preocupante”.

A empresa, que gere uma das principais plataformas de venda ‘online’ de bilhetes para espetáculos culturais, vê o arranque de 2021 como “atípico”, com salas encerradas e espetáculos com público presencial impossibilitado.

Mesmo tendo gerido vendas para eventos agendados para os próximos meses e para o próximo ano, como o concerto em Lisboa de The Weeknd, para 2022, a quebra é “substancial e verdadeiramente preocupante”.

Na mesma linha, a BOL – Bilheteira Online continua “a verificar uma quebra bastante acentuada” em relação aos primeiros meses de 2020, mesmo que denote “um ligeiro crescimento relativamente à compra de bilhetes para espetáculos ‘streaming'”.

Esses, adiantam, têm sido “os mais predominantes nos últimos tempos”, com espetáculos presenciais colocados, para já, num horizonte mais distante e menos imediato, mesmo que continuem a recolher as preferências do público.

“Houve a necessidade de criar uma nova página direcionada apenas para os eventos ‘streaming’ e que está associada ao nosso ‘site’. (…) A transição tem sido uma estratégia, não só para acompanharmos as necessidades de um mercado cada vez mais virtual e ligado a uma vertente mais digital, mas essencialmente para não deixar morrer a cultura”, adianta a BOL à Lusa.

Também a Ticketline vê neste formato “uma forma de rentabilizar conteúdos” já existentes, mas também de “continuar a dar vida e manter ativos os artistas, os técnicos e as próprias instituições”.

A adesão de público a espetáculos através destas plataformas tem sido “cada vez maior”, com a Ticketline a destacar o crescimento no número de pessoas no sítio dedicado a estes eventos.

“Todos os meses temos mais registos na plataforma, mais vendas de acessos e mais pedidos de compra de acessos para oferecer. (…) E de tipos de público muito diferentes. Tem sido um enorme gosto poder ver esta evolução e esta disponibilidade do público”, acrescentam os responsáveis da plataforma.

A ideia para o que viria a ser o ‘Ticketline Live Stage’ “já existia nos planos” da empresa, antes de ‘chegar’ a pandemia de covid-19, com esta a “abrir caminho”. Esta realidade “tem o seu espaço agora, como terá pós-pandemia“, garante à Lusa.

Também a BOL quer manter a aposta após o desconfinamento, para “alargar o leque de opções” e “ter o melhor de dois mundos”, até porque também regista “uma adesão crescente” por promotores culturais.

E como “a transmissão não é uma substituição” da ida a um evento físico, a adição desta modalidade torna-se antes numa diversificação das possibilidades para o público da cultura.

Isso atesta “o crescente interesse por parte do público”, que, por sua vez, levou a “um forte crescimento de vendas de acessos ao longo destes meses”, relata a Ticketline.

Desde o final de julho de 2020, alguns espetáculos foram sucessos de vendas de acessos, do “Panda e os Caricas — A Bola de Natal”, com oito mil acessos em dezembro do ano passado, o melhor mês da plataforma, ou o Lisbon Film Orchestra, também no final do ano.

Aí, foram vendidos ingressos digitais para 17 países diferentes, em quatro continentes, do Brasil aos Estados Unidos e à Bulgária, com a Ticketline a não revelar outros números por vários contratos que exigem confidencialidade sobre estes dados.

Mesmo sem ter uma distinção detalhada quanto à dispersão do tipo de público que compra acessos para espetáculos ‘online’, o que é “bastante notório” é uma descentralização na oferta de eventos, com origem em locais como Sesimbra, Chamusca, Funchal, Coimbra ou Vila Nova da Barquinha, entre outros.

Os números da BOL, por seu lado, mostram que os distritos de Lisboa e Porto representam 42% das vendas em ‘streaming’, com 50% no resto do país e, os 8% que faltam, do estrangeiro.

A 21 de dezembro de 2020, a Ticketline dava conta, à Lusa, de uma quebra de 90% de vendas, entre março e novembro desse ano, comparado com o mesmo período em 2019, com 643 mil bilhetes vendidos, 84% abaixo dos 3,964 milhões do ano anterior.

De janeiro a novembro desse ano, a Ticketline registou uma receita de bilheteira de 14,975 milhões de euros, contra os 58,958 milhões de euros no mesmo período de 2019, o que representa uma quebra de 71%, segundo os dados disponibilizados.

Na mesma data, a BOL reportava uma diminuição do número de bilhetes vendidos, entre abril e novembro do ano passado, face ao período homólogo de 2019, de 86%.

No final do ano passado, também a Blue Ticket, outra das plataformas principais de bilhética, dava conta de uma quebra de 82% na venda de bilhetes entre março e novembro, quando comparado com 2019.

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