Sérgio Freitas edita hoje primeiro álbum a solo enquanto serge fritz

A carreira de Sérgio Freitas tem-se desenvolvido em coletivo. Além de atualmente acompanhar os Sensible Soccers e PZ, tocou muitos anos com Mind Da Gap, acompanhou Old Jerusalem, criou o coletivo de improvisação Zany Dislexic Band e é cofundador da editora Meifumado Fonogramas.

“Gosto muito de fazer coisas em conjunto, mas sempre escrevi para mim, e sendo pianista estou habituado a tocar muito tempo sozinho. Fazer qualquer coisa sozinho é uma coisa que sempre esteve nas minhas cogitações, quando as condições estivessem reunidas, e aconteceu agora”, disse à Lusa em entrevista telefónica a partir de Braga, onde vive.

O ‘alter ego’ que agora assume, serge fritz – com as letras todas minúsculas -, existe “há mais de 20 anos e está registado na SPA [Sociedade Portuguesa de Autores]”.

O nome surgiu como “piada de adolescentes no círculo de amigos” do músico: “Se um dia fizesse uma coisa sozinho seria como serge fritz”.

serge fritz tem também “um lado irónico”, já que “faz lembrar aqueles DJ meio estranhos que adaptam o nome de português para inglês, para ser uma coisa mais ‘tcharan’”.

A adoção do nome no primeiro projeto que assume a solo é uma espécie de “homenagem a essa personagem que nunca existiu para ninguém”, a não ser no círculo de amigos de Sérgio Freitas.

“Achei que se encaixava neste projeto, em que sou eu completamente sozinho com os meus sintetizadores, teclados, a fazer uma coisa bastante pessoal”, considerou.

“gandulo” foi criado maioritariamente nos últimos dois anos. “A ‘brava’ é a única música [das 12 que compõem o álbum] pré-pandemia, uma melodia que já existia e vivia comigo há muito tempo. Tudo o resto foram coisas que surgiram em pleno confinamento. Estava com alguma agenda de concertos e de repente congela tudo, vi-me a braços com muito tempo livre e as máquinas todas cá em casa, quando dei por ela estava a trabalhar bastante e a registar muitas ideias”, contou.

Um músico “muito de registar ideias” e com “muito tempo livre” acabou por juntar “gigas de coisas”. O processo “mais longo e doloroso” foi escolher o que incluir no álbum.

“O crivo foi escolher as [músicas] que me soassem mais espontâneas, no sentido em que seriam as ideias que teriam saído mais ao primeiro gesto. Gosto muito disso, dos primeiros ‘takes’, do imediatismo das coisas. Encontro aí alguma verdade, como procuro muito nas coisas e na arte em geral”, explicou.

No final do processo de escolha e criação, Sérgio Freitas ficou “com muitas músicas com ambiências diferentes, umas com batida, outras sem batida, outras mais cinemáticas, outras mais para o lado do hip-hop, outras mais para a música dita exploratória”.

“Estava com receio que ficasse como uma salada de frutas que não fizesse muito sentido, mas depois cheguei à conclusão que não”, confidenciou.

Para alguém que já integrou projetos que vão do hip-hop à música folk, vem da música improvisada e tem uma formação “mais clássica”, “é encaixável e natural que não saísse uma coisa só num registo”.

“Provavelmente a variedade [sonora de ‘gandulo’] virá daí”, disse.

A próxima etapa passa por adaptar “gandulo” aos palcos. “Vou começar a pensar nisso agora, amiúde. Gostava de ter a experiência de ir para palco sozinho, fazer o projeto completamente a solo”, partilhou.

O futuro passará por “fazer um disco mais centrado no piano” e, “mais à frente, compor com banda como serge fritz”. Além disso, Sérgio Freitas gostava “muito de escrever para cena, sobretudo bailado”.

Entretanto, “a agenda está boa e recomenda-se” com os concertos de apresentação dos novos álbuns dos Sensible Soccers e de PZ.

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