Sociedade Portuguesa de Autores lamenta morte do "professor" Joel Pina

 

Num comunicado, divulgado no final da noite de sexta-feira, a SPA lembra que Joel Pina, de verdadeiro nome João Manuel Pina, morreu a poucos dias de completar 101 anos e que é associado da cooperativa desde 30 de agosto de 1956, estatuto que manteve até a morte, registada no Hospital de Cascais na sequência de um AVC.

“Joel Pina teve uma presença e um contributo decisivo para o mundo do Fado protagonizando alguns dos momentos de maior significado daquele género musical, quer acompanhando Amália Rodrigues, durante 29 anos, que nasceu no mesmo ano do músico, internacionalizando, pela primeira vez, o Fado, quer introduzindo a viola baixo acústica como elemento decisivo daquele conceito e sonoridade”, lê-se no documento.

O “professor”, nome pelo qual era chamado pelos mais novos e por todos os que viam nele uma referência, “teve ainda uma participação determinante” na consagração do Fado enquanto Património Imaterial da Humanidade (UNESCO), adianta a SPA.

“Acarinhado por diversas gerações de fadistas e músicos, Joel Pina iniciou-se pelo bandolim, tendo integrado, mais tarde, o Quarteto de Guitarras de Martinho d’Assunção e o Conjunto de Guitarras de Raul Nery. Já em Lisboa, tornou-se frequentador assíduo de casas de fado, tendo permanecido 10 anos na Adega Machado”, lembra a Sociedade Portuguesa de Autores.

Na homenagem a Joel Pina, a SPA acrescenta que, nesse contexto, o “professor” deu início a uma carreira que o levaria a acompanhar sucessivas gerações de intérpretes como Fernando Farinha ou Maria Teresa de Noronha, João Braga ou Cristina Branco, Beatriz da Conceição ou Ricardo Ribeiro.

“Reconhecido pela jovialidade de espírito e boa disposição, Joel Pina era possuidor de um talento com inúmeras soluções musicais, estéticas e de grande densidade no que designamos hoje por Fado, o que lhe valeu, em 2012, a condecoração da Ordem do Infante D. Henrique”, relembra a associação.

Joel Pina nasceu na aldeia de Rosmaninhal, em Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco, em 17 de fevereiro de 1920.

O músico foi homenageado em setembro de 2020, no Teatro S. Luiz, em Lisboa, num concerto que contou com as participações, entre outros, de Maria da Fé, Mariza, Gonçalo Salgueiro, Mísia, Teresa Siqueira e Lenita Gentil, ao qual assistiu o primeiro-ministro, António Costa.

 

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