"Sub-Urbe" é o primeiro disco de uma trilogia criada por Maze e AZAR AZAR

 

André Neves (Maze, membro fundador dos Dealema) e Sérgio Alves (AZAR AZAR) já vinham a colaborar nas festas “Movimento” do Pérola Negra, no Porto, onde atuavam com Bruno Macedo no baixo, Ricardo Danin na bateria, Manu Idhra na percussão, André como vocalista e Sérgio nas teclas.

Foi daí que veio a semente para o “Sub-Urbe”, que “não foi pensado dessa forma, mas foi crescendo para uma trilogia”, explicou à Lusa Maze.

O “fio condutor” que une os três trabalhos é uma “análise sociológica do que é o subúrbio, do que é essa vida na cidade, essa vida suburbana e o peso que ela acarreta”, adiantou o ‘rapper’.

Este trabalho, que bebe das atuações que a banda já vinha a desenvolver, junta o ‘jazz’ e o ‘hip hop’, criando “ambientes densos”, explicou Maze.

Os géneros escolhidos influenciaram não só as sonoridades, mas também o método: “este disco é especial porque capta mesmo o momento vivido no estúdio”.

“Esse espírito de ‘jam’, que vem do nosso ADN, porque ambos gostamos de ‘jazz’ e de ‘rap’, traz essa magia do que só aparece no momento, não é planeado, e que, de repente, nos surpreende”, concretizou.

Este primeiro volume está disponível nas plataformas digitais a partir de hoje, mas será lançado em vinil, previsivelmente em final de outubro.

Foi a partir de uma “paleta de cores” definida pelos ‘beats’ criados por Sérgio que o projeto se foi desenhando, mas a história ainda estava em aberto.

Para AZAR AZAR, “a temática suburbana se calhar já estava intrínseca”, já que cresceu nos subúrbios do Porto, mas a ideia que quis criar, “em termos mais visuais, de narrativa, os ‘beats’, são assim meio esfumados, a cena é toda muito dispersa”.

O ‘rapper’ acrescenta que “esses ambientes que o Sérgio cria são muito específicos e têm uma identidade muito própria e muito vincada no que faz”.

“Se calhar, a vivência reflete-se na música, e no ambiente que ele cria. Esse esfumado, essa densidade que ele transporta para a música, levou-me para esta narrativa, para esta temática, muito também pela forma como ele usa os ‘samples’ e as vozes nos ‘samples’. Isso transporta-me e cria-me imagens mentais, que depois eu traduzo para palavras”.

No EP com dez faixas, todos os temas adotam o nome de pedras preciosas. O ‘rapper’ esclarece que representam “as pedras preciosas que se retiram dessa adversidade”.

O lado B do disco traz a versão instrumental das cinco faixas que compõem o lado A. À Lusa, Maze apressou-se a justificar a opção, dizendo que “é porque os ‘beats’ são incríveis, basicamente”.

E acrescentou que pode também servir para MCs “como ferramentas de trabalho, porque podem usá-los para escreverem as suas próprias letras”.

Já AZAR AZAR considera que, “como isto é um conto e fala de uma existência suburbana e de diferentes formas de viver a vida da cidade e à volta, ter os instrumentais é quase como ter uma tela onde cada um pode escrever o seu conto”.

Os próximos dois discos já estão a ser preparados, ainda que com ritmos e métodos diferentes.

“Neste momento, não sei como é que esta história vai acabar. Tenho algumas possibilidades em aberto e sei que caminhos quero dar à narrativa, mas sei que eles estão dependentes do que o Sérgio vai trazer para alimentar estas possibilidades. Essa é a beleza desta parceria, é que as minhas letras só se alimentam do que ele me der”, contou Maze.

Com o primeiro disco terminado, sobra passá-lo para o palco, uma intenção que os acompanha desde o início do projeto, mas que vem sendo adiada.

A previsão é dar, “pelo menos, concertos de apresentação” do projeto, mas espera que venham muitos mais, até porque este é “um concerto mutável, que pode ser tocado ao longo de anos”, com a expansão da narrativa prevista na sequela e prequela de “Sub-Urbe”.

O álbum é editado pela Monster Jinx e conta com os músicos com quem atuavam no Pérola Negra.

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