Susana Baca apresenta em Portugal ‘Palabras Urgentes’

“Estou muito feliz de voltar [a Portugal], e levo o meu disco ‘Palabras Urgentes’, que não é uma palavra qualquer, porque vivemos coisas muito difíceis, vivemos situações e momentos muito difíceis no Peru e no mundo”, disse em entrevista à Lusa a partir do Peru, através da plataforma Zoom.

“Palabras Urgentes”, editado em 2021, é um trabalho que “vem de dentro da alma” e, “por isso, [tem] uma reinterpretação de ‘Cambalache’ [do argentino Enrique Santos Discépolo], e uma homenagem às mulheres líderes que, com sua paixão pela liberdade, tornaram possível a independência da América — Juana Azurduy e Micaela Bastidas, a quem [a cantora e compositora peruana] Chabuca Granda dedicou ‘La herida oscura'”, que é também reinterpretada no álbum.

No trabalho que assinala os 50 anos de carreira de Susana Baca há “essas homenagens”, mas “coisas de amor também, de intimidade, desse amor desprendido, desgarrado, sem problemas de sexo ou de escolher quem se quer”.

Nesta digressão na Europa, Susana Baca está a tocar “com um grupo de pessoas novo”, em que “são todos muito jovens”. “Até digo que são meus netos. Eles não sabem o que significa para mim cantar em Portugal”, disse.

A cantora contou que sempre que faz uma votação com a equipa, após o último concerto na Europa antes do regresso a casa, para decidirem onde se sentem muito bem, “Portugal ganha sempre, sempre”.

“Porque a comida é muito boa, muito bem organizado, o equipamento de som viaja connosco, vamos em autocarros para as cidades mais próximas, o que nos permite descansar melhor e desfrutar da paisagem e de tudo”, contou.

Em 50 anos de carreira, os momentos mais bonitos aconteceram em lugares “onde não falam a tua língua, e talvez a batida da tua música não lhes seja familiar”.

“Isto foi na Macedónia, e as pessoas dançaram ao compasso da música com o que sentiam na alma, o que recebiam da minha música. Nesse momento é quando comprovas que não há barreiras, quando soltas a alma”, disse.

Aos 78 anos, ainda há jovens que a procuram para colaborações, e são “os que cantam as verdades agora”.

“Há ‘rappers’ e há ‘rappers’, certo? Mas há ‘rappers’ que estão envolvidos na política, e estão a ir muito bem. Acabei de gravar uma coisa muito pequena numa música de um rapper, Jaze, e isto fez-me chegar a crianças. Esse é o futuro”, contou.

Embora tenha tido um mandato “muito curto” como ministra da Cultura, em 2011, Susana Baca recorda que ao longo de toda a carreira esteve envolvida em política no Peru.

“Em eventos, seja contra o racismo ou políticos, eu participei. É um trabalho muito duro, com muitas dificuldades, com muitos inconvenientes, com muitas portas fechadas. Mesmo que eles pensem que não é importante, eu vou fazê-lo. E vou fazer apesar das críticas, apesar de tudo”, disse.

“[Vou] continuar até o fim, porque isso é honesto: e essa honestidade é a maior riqueza que tenho, não?”.

Susana Baca editou o primeiro disco em 1987 (“Color de Rosa Poesía y Canto Negro”), tendo conquistado atenção fora do seu país depois da edição da compilação “The Soul of Black Peru: Afro-Peruvian Classics”, da editora de David Byrne, a Luaka Bop, em 1995, onde surge a cantar “María Landó”.

A cantora já foi distinguida, entre outros, com três prémios Grammy, a Ordem de Mérito pela República do Peru e a Ordem das Artes e Letras pela República Francesa.

Recentemente editou um livro de memórias, “Yo vengo ofrecer mi corazón”.

Os espetáculos de Susana Baca em Portugal estão marcados para 04 de maio, no Teatro Tivoli, em Lisboa, 06 de maio, no Auditório de Espinho, e 07 de maio, no Theatro Circo, em Braga.

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