Teatro Infantil de Lisboa comemora 45 anos com estreia de uma peça

 

“Tínhamos outros planos para os 45 anos do TIL. Tudo o que estava planeado, tudo o que estava pensado, teve de ser alterado, pelo forte impacto financeiro que [a pandemia] representou para a estrutura e, portanto, tivemos que nos reorganizar”, disse Maria João Vieira, atriz do TIL à agência Lusa.

“Feliz aniversário” é um espetáculo com cariz de itinerância, que o TIL pretende levar a várias localidades portuguesas e que foi preparado com cenografia e figurinos do acervo da companhia que foram recuperados e redesenhados.

Fazer teatro para a infância e juventude não é uma tarefa fácil nem tem sido fácil para o TIL, sobretudo porque o “teatro infantil é considerado um teatro menor”. “Tanto a nível de posicionamento na comunidade teatral e cultural como também dos próprios profissionais que o fazem”, acrescentou Maria João Vieira.

“Sempre foi muito difícil mostrar que o teatro infantil é tão importante como qualquer outra expressão artística e que não acreditamos em teatro para adultos e teatro para crianças”, referiu.

Fazer teatro infantil é, por isso, um trabalho para o desenvolvimento “cultural e cívico para as gerações mais novas, que é extremamente importante”.

Para comemorarem os 45 anos, e longe de poderem apresentar uma grande produção como gostariam, convidaram o ator e encenador Fernando Gomes, que tem trabalhado com regularidade com o TIL desde 1990, a escrever um texto original.

“Gostaríamos de ter feito uma megaprodução, obviamente, para comemorar os 45 anos, mas, infelizmente, não nos é possível. Portanto, tivemos que juntar aqui as pecinhas todas e fazer um espetáculo dentro daquilo que era possível fazer, mas eu acho que, obviamente, sempre com o selo de qualidade do TIL”, frisou.

A pandemia de covid-19 tem também colocado alguns entraves ao TIL que deixou de poder representar peças para escolas. Em março de 2020, no início da pandemia, o TIL viu serem cancelados 40 espetáculos para estabelecimentos de ensino.

Por isso, os espetáculos do TIL — que mantém “Heidi” em cena, aos fins de semana, no Teatro Armando Cortez – só se realizam aos sábados e domingos.

Questionada sobre se a companhia não pondera a edição de uma publicação sobre o TIL, Maria João Vieira disse que chegou a ser pensada para assinalarem os 40 anos, mas que tal não foi possível devido à crise financeira que Portugal atravessava na altura “que fez o TIL abanar muito”. E também não o é agora.

Sem apoios estatais — o TIL apenas recebeu uma verba pontual este ano da Direção-Geral das Artes -, “a grande preocupação” para a companhia foi sempre “manter os trabalhadores”.

Isto porque trabalham com contratos de trabalho e não recorrem a recibos verdes, acrescentou Maria João Vieira.

Ter um teatro próprio é outra das vontades do TIL; que nunca o teve ao longo dos anos. Agradados e gratos por ocuparem, desde 2004, um espaço no teatro Armando Cortez, que lhes foi proporcionado pela APOIARTE, mas que é pago, o TIL gostava de vir a ter um espaço próprio, garantiu a atriz.

Com ou sem espaço próprio, com mais ou menos dificuldades, Maria João Vieira assegurou que o TIL continuará a desenvolver o trabalho que realiza há 45 anos,

“O importante do TIL é todo um retrato geracional”, até porque tem um público fiel, na maioria de filhos e netos de pessoas que, quando jovens, assistiram a peças do TIL.

“Feliz aniversário” vai estar em cena aos sábados e domingos, no teatro Armando Cortez, podendo também, ser vista de terça a sexta-feira para grupos organizados.

Aos domingos, também no Armando Cortez, o TIL tem em cena “Heidi — o musical”, que de terça a sexta-feira pode ser visto por grupos organizados.

“Feliz aniversário” é uma peça onde o público pode ver algumas personagens extraídas de outras histórias que foram convidadas para uma festa de aniversário.

“Mas não se sabe como, quando nem porquê. O feliz acaso acaba por fazer parar o relógio e transforma-se numa mágica celebração da amizade. Porque importa saborear os momentos de partilha dos prazeres mais simples da vida. Tudo isto parece… extraordinariamente simples!”, lê-se na sinopse da peça.

A música e direção musical é de Quim Tó, a direção artística e os figurinos são do coletivo e a cenografia é de Kim Cachopo.

A coreografia é de Maria Curado Ribeiro e Paulo Neto, o desenho de luz de Tiago Santos e a interpretar estão Henrique Macedo, Maria Curado Ribeiro, Marta Lopes Correia, Paulo Neto e Tiago de Almeida.

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