Anunciadas as seis escritoras finalistas do Women’s Prize for Fiction

O júri do Prémio anunciou hoje os romances finalistas escolhidos a partir da ‘longlist’ de 16 títulos, anunciada em março, e que já tinha sido apurada de entre 175 submissões a concurso para o prémio que distingue anualmente a melhor obra de ficção escrita por mulheres.

A ‘shortlist’ deste ano engloba uma série variada de temas, que inclui a pertença e identidade, o poder da natureza, o fardo da história, a liberdade pessoal, a irmandade, doenças mentais, fantasmas, violência de género, a oportunidade de renovação.

Trata-se de romances que fornecem também cenários globais, que vão da Antártida a Montana e do Chipre a Trinidad e Tobago, destacou o júri.

“Fomos brindadas com uma qualidade extraordinariamente elevada de submissões este ano, o que tornou particularmente difícil a redução da lista de 16 para seis romances, mas a lista final contém uma variedade maravilhosa de histórias, assuntos, cenários e autores, desde a experiência de uma mulher nativa americana numa livraria assombrada, a uma aviadora precoce na Antártida”, destacou Mary Ann Sieghart, presidente do júri.

Um romance é narrado por uma árvore, outro por um livro, alguns são engraçados, outros tristes e, por vezes, as duas coisas combinadas no mesmo livro, acrescentou, afirmando que o “único problema agora será identificar o vencedor entre estes seis brilhantes romances”.

Um dos romances que mais tem prendido a atenção nesta edição do Women’s Prize for Fiction é ‘The Island of Missing Trees’ (editado em Portugal no mês passado pela Presença com o título ‘A ilha das árvores desaparecidas’), da escritora turca-britânica Elif Shafak, autora multipremiada e repetente na corrida a este prémio.

Também Louise Erdrich se tem destacado, não só por já ter recebido vários prémios, mas por ser considerada umas das mais talentosas escritoras da atualidade e uma das mais importantes dos Estados Unidos, que concorre agora com o romance ‘The Sentence’. A autora, que cresceu no Norte Dakota entre comunidades de origem norte-europeia e nativos-americanos Ojibwa, na base de algumas das suas personagens, tem publicados em Portugal livros como ‘Pegadas’ e ‘A rainha da beterraba’ (Dom Quixote) e ‘Vida de sombras’ e ‘A casa redonda’ (Clube do Autor).

Outra autora que se tem destacado é a norte-americana Maggie Shipstead, cujo romance finalista ‘Great Circle’ chegou também à ‘shortlist’ do Prémio Booker do ano passado. Da autora, está publicado em Portugal o romance ‘Deslumbra-me’ (Jacarandá).

A par com estas autoras consagradas concorre um romance de estreia, ‘The Bread the Devil Knead’, de Lisa Allen-Agostini, escritora de Trinidad e Tobago.

A neozelandesa Meg Mason, com o romance ‘Sorrow and Bliss’, e a americana-canadiana Ruth Ozeki, com ‘The Book of Form and Emptiness’, completam a lista final.

Para trás ficaram outros quatro romances que marcam a estreia das suas autoras: ‘Build Your House Around My Body’, de Violet Kupersmith, ‘Careless’, de Kirsty Capes, ‘The Final Revival of Opal & Nev’, de Dawnie Walton, e ‘The Paper Palace’, de Miranda Cowley Heller.

As outras escritoras da ‘longlist’ que não chegaram à final são Leone Ross (‘This One Sky Day’), Catherine Chidgey (‘Remote Sympathy’), Rachel Elliott (‘Flamingo’), Charlotte Mendelson (‘The Exhibitionist’), Morowa Yejidé (‘Creatures of Passage’) e Lulu Allison (‘Salt Lick’).

Além de Mary Ann Sieghart, fizeram ainda parte do painel de jurados a jornalista e editora premiada Lorraine Candy, a romancista e jornalista Dorothy Koomson, a autora e jornalista literária premiada Anita Sethi, e a jornalista, radialista, ‘podcaster’ e autora Pandora Sykes.

No ano passado, o prémio foi atribuído ao romance ‘Piranesi’, de Susanna Clarke, entretanto editado em Portugal pela Casa das Letras.

Dirigido pela romancista Kate Mosse, o Women’s Prize for Fiction tem por objetivo reconhecer a ficção escrita por mulheres em todo o mundo.

Criado em 1992, em Londres, por um grupo de homens e mulheres jornalistas, críticos, agentes, editores, bibliotecários e livreiros, o prémio foi uma resposta ao facto de, no ano anterior, a lista de finalistas do prestigiado prémio literário Booker não ter incluído uma única mulher.

Em 1992, apenas dez por cento das finalistas ao Booker Prize tinham sido mulheres.

A residência ou o país de origem não são critérios de elegibilidade para o Women’s Prize for Fiction, que celebra a criatividade feminina.

A vencedora, que será anunciada a 15 de junho, recebe um prémio monetário no valor de 30 mil libras (perto de 33 mil euros).

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