Arquiteturas Film Festival decorre no Porto e reflete sobre abrandamento

Com todas as sessões de cinema com entrada gratuita, bem como os debates e uma exposição, o festival decorre durante cinco dias e apresenta quatro secções dedicadas à arquitetura e à cidade.

“Há o interesse de ver, ouvir e debater sobre práticas espaciais justas social e ambientalmente, que transmitam uma relação recíproca entre a ação humana e a natureza”, refere a organização.

A 9.ª edição do festival de cinema acontece sob o mote ‘Slow Down!’ (‘Abranda!’, em tradução livre do inglês) e “reflete sobre a ideia de ‘abrandamento’, ainda que isso implique demolir, reduzir, reutilizar ou subtrair a arquitetura”, explica a organização, em comunicado.

Na mudança para o Porto, cidade que já tinha funcionado como “satélite” do certame que acontecia em Lisboa, Paulo Moreira, fundador do projeto cultural dedicado às artes visuais e arquitetura Instituto, assume a direção.

O festival tinha anunciado inicialmente, em março, que parte da programação decorreria no Cinema Batalha, que ainda não reabriu, pelo que as sessões vão decorrer no Instituto, na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP), na Casa Comum, na Fundação Instituto Marques da Silva e no Cinema Passos Manuel.

A seleção oficial, competitiva, inclui 23 filmes de 17 países, que serão distribuídos por oito sessões de apresentação na Casa Comum, na reitoria da Universidade do Porto.

O programa oficial tem curadoria da arquiteta e jornalista Catarina de Almeida Brito, e inclui o filme de abertura ‘Landscape Healing’, de Richard John Seymour, a que se segue um debate entre o realizador, o arquiteto norueguês Haakon Rasmus Rasmussen e a também arquiteta Cristina Monteiro, no Passos Manuel, no primeiro dia.

Na seleção, nota para quatro filmes de Portugal, o país mais representado, incluindo ‘Águas do Pastaza’, de Inês T. Alves, já apresentado no festival de cinema de Berlim deste ano, bem como no DocLisboa.

‘Lethes’, de Eduardo Brito, ‘Luz de Presença, ‘de Diogo Costa Amarante, e Places of ‘Absence’, de Melanie Pereira, completam a oferta nacional.

Ao lado destes estarão obras como ‘Memories of the Berlin Room’, de Jörn Staeger, e ‘Light Snatcher’, de Charlotte Airas, já selecionados em outros festivais internacionais, mas também três estreias mundiais.

‘Group Affairs’, uma produção neerlandesa de Onur Can Tepe e Marcel Ijzerman, ‘Them, the Land and Us’, um filme do realizador brasileiro Vitor Villaça Campanario, e a coprodução do Reino Unido e Sri Lanka ‘Bawa’s Garden,’ de Clara Kraft Isono, vão ser exibidos pela primeira vez.

Serão dados prémios nas categorias de documentário, ficção, experimental, talento emergente, prémio do público e a nova de consciência social, para filmes “que abordem questões de justiça social e espacial, igualdade e diversidade cultural”.

Em vez de um país convidado, este ano é uma instituição, no caso o Centre for Documentary Architecture (CDA), fundado pela alemã Ines Weizman, dedicada a uma reflexão sobre o arquivo na arquitetura e no cinema.

Weizman e Seymour orientarão oficinas durante o evento, num programa paralelo que inclui tam’bém uma exposição, ‘The Matter of Data. Documentary Architecture as Historical Method, patente até 22 de outubro na Fundação Instituto Marques da Silva, e vários debates.

O programa Experimental, com curadoria de Mariana Pestana, tem como destaque a estreia nacional da série ‘Critical Cooking Show’, produzida para a Bienal de Design de Istambul de 2020.

O festival concebido pela Do You Mean Architecture e pelo Instituto é agora dirigido pelo projeto cultural portuense, deixando Lisboa, onde aconteceram as outras oito edições, para assumir como casa o Porto, tendo como parceiros a Universidade do Porto, a empresa municipal Ágora, o Cinema Passos Manuel e ainda a Ordem dos Arquitetos – Norte.

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