Auditório de Espinho recebe Wim Mertens, John Scofield e Hauschka

Por essa sala do distrito de Aveiro e da Área Metropolitana do Porto passará ainda a cantora de jazz norte-americana Kandace Springs, o grupo espanhol de música sacra antiga La Grande Chapelle e a dupla britânico-suíça constituída por Matthew Herbert e Julian Sartorius, cujo concerto de eletrónica experimental se repetirá em Braga e em Lisboa.

André Gomes, programador da casa, adiantou, contudo, que o cartaz do Auditório até final de 2023 incluirá outros géneros artísticos além da música.

“Pode ser uma tendência dos programadores, mas o último trimestre do ano será, de facto, dos mais diversificados de que tenho memória. Há muito teatro, para graúdos e miúdos, dança contemporânea, performance, música clássica e antiga, experimental, eletrónica, muito jazz, espetáculos que envolvem a comunidade e um ciclo de palestras”, disse à agência Lusa.

O efeito dessa aposta na diversidade de programação já se tem feito notar: “É uma boa sensação ver, a cada noite, novos públicos na plateia, assim como é perceber no público habitual uma vontade de descoberta. Cada vez mais, as salas de espetáculo são espaços sociais, de partilha, de renovação, de inspirações”.

Em setembro, o Auditório começa por receber a Orquestra Clássica de Espinho num concerto em que o pianista sino-americano Eric Lu interpretará peças de Grieg e “A história de Babar, o pequeno elefante”, numa adaptação musical da obra de Jean Françaix.

A Orquestra de Jazz de Espinho também estará em cartaz, primeiro com a saxofonista-tenor Melissa Aldana, natural do Chile, radicada nos Estados Unidos e já distinguida com o Prémio Thelonious Monk, e depois, em outubro, com o pianista português João Paulo Esteves Silva, em cujo estilo André Gomes identifica “memória das melopeias antigas, dos Açores à Beira Interior”.

Nesse mês haverá ainda um concerto de A Garota Não, outro com o acordeão de João Barradas e um terceiro com a saxofonista norte-americana Lakecia Benjamin, além de três propostas noutros géneros artísticos. São elas: “As árvores não têm pernas para andar”, com Joana Gama a contar histórias acompanhadas por um piano de brincar; “Soundcheck”, pelo Teatro da Didascália; e “Distante — Paisagens, Máquinas, Animais”, com dança contemporânea coreografada por Né Barros.

Depois disso, em novembro segue-se La Grande Chapelle, com repertório do “Officium defunctorum” de Tomás Luis de Victoria, e o Trio de John Scofield, em que o guitarrista se junta ao contrabaixo de Vicente Archer e à bateria de Bill Stewart para explorar standards do jazz, clássicos de rock e blues, e novos temas do álbum “Uncle John’s Band”.

Pela mesma altura haverá ainda o concerto da Orquestra Clássica de Espinho com a violinista letã Kristine Balanas, o espetáculo “Drum Solo” de Matthew Herbert e Julian Sartorius, a peça “Feedback” pela companhia Circolando, “Coisas” pelo Teatro de Marionetas do Porto e o ciclo de palestras em que Rui Miguel Abreu abordará “Do velho hip hop aos novos fados – o que bate no nosso presente”.

Também nesse mês o Auditório vai acolher duas apresentações no âmbito do festival itinerante Misty Fest: a do compositor belga Wim Mertens, que, com o pianista Francisco Sassetti, dará a ouvir o seu mais recente trabalho, “Voice of the Living”, que é uma homenagem a todas as vítimas da guerra; e a do pianista alemão Volker Bertelmann, que, conhecido como Hauschka, que, depois de em 2016 ter sido nomeado para um Óscar como coautor da banda sonora do filme “Lion”, ganhou essa estatueta este ano pela música de “A Oeste Nada de Novo”.

A programação do Auditório fecha dezembro com outras quatro propostas: o espetáculo “1973”, coproduzido pela Academia de Música, a Escola Profissional de Música e o Teatro Popular de Espinho; a peça de marionetas “Ninho”, pela companhia Partículas Elementares; o concerto da Orquestra de Jazz com o cantor germano-americano Theo Bleckmann; e a atuação da Orquestra Clássica com Kandace Springs, num programa dedicado ao álbum “Lady in Satin”, de Billie Holiday.

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