Bienal de Arquitetura de Veneza abre com projeto português ‘InConflict’

 

Nesta bienal, a pergunta lançada aos participantes e ao público é “How will we live together?” (“Como vamos viver juntos?”, em tradução livre), em cinco escalas: o corpo humano, o agregado familiar, as comunidades, territorial e o planeta.

“A arquitetura deve mudar e uma arquitetura que antecipa é uma arquitetura que é resiliente e que acomoda para o futuro”, considerou o curador-geral, Hashim Sarkis, em conferência de imprensa, na quinta-feira, em Veneza.

Sublinhou ainda que o certame vai procurar “trazer à discussão como este parâmetro espacial, este exercício espacial e esta fantasia espacial pode inspirar e mudar o futuro da nossa sociedade e indicar possibilidades diversas para podermos viver em conjunto”.

À pergunta do curador da bienal – “Como vamos viver juntos?” -, a representação portuguesa responde com o projeto “In Conflict”, do coletivo de arquitetos depA, do Porto, com uma exposição e vários debates sobre a relação entre a arquitetura portuguesa e as questões de habitação, desde a Revolução de Abril de 1974.

O espaço oficial de Portugal estará novamente no Palazzo Giustinian Lolin, que é a sede da Fundação Ugo e Olga Levi, ocupando dois pisos do edifício, um dos quais para os debates e o outro para a exposição, com sete núcleos dedicados a outros tantos processos e casos de arquitetura de habitação em Portugal.

Nesses sete núcleos serão revisitados, por exemplo, os projetos habitacionais das torres do bairro do Aleixo (Porto), o conjunto habitacional Cinco Dedos em Chelas (Lisboa), o plano de pormenor da Aldeia de Luz, no Alentejo, e a reconstrução de casas destruídas pelos incêndios de 2017 (Figueiró dos Vinhos, Pampilhosa da Serra e Pedrógão Grande).

“A principal motivação desta exposição é que vale a pena continuar a acreditar na Arquitetura enquanto disciplina transformadora de um mundo e de um país que é ainda imperfeito. Há muita coisa que está melhor, mas ainda há muita coisa a melhorar”, afirmou Luís Sobral, um dos quatro curadores da participação portuguesa, na conferência de apresentação à imprensa, realizada na quinta-feira.

A arquiteta japonesa Kazuyo Sejima, Prémio Pritzker de 2010, vai presidir ao júri internacional da Bienal de Arquitetura de Veneza 2021, cujo palmarés desta edição será anunciado a 30 de agosto.

Tradicionalmente, o palmarés é divulgado logo na abertura ao público do certame dedicado à arquitetura contemporânea, mas, nesta edição, em contexto de pandemia, a cerimónia acontecerá no final do terceiro mês do certame, como indicou a organização.

Na altura, serão entregues os prémios principais: Leão de Ouro para o melhor pavilhão nacional, Leão de Ouro para o melhor participante na exposição internacional “How will we live together?” (“Como vamos viver juntos?”) e o Leão de Prata para um talento emergente na mesma exposição.

O júri poderá atribuir ainda uma menção especial a um pavilhão nacional e um máximo de duas menções especiais aos participantes na exposição internacional.

Além das 63 participações de pavilhões nacionais, a bienal organiza uma exposição coletiva com 114 participantes de 46 países, dividida em seis núcleos, com título próprio, dispersa por várias zonas de Veneza.

Do mundo lusófono, a dupla de arquitetos portugueses Manuel e Francisco Aires Mateus e a arquiteta angolana Paula Nascimento vão participar na exposição coletiva da Bienal de Arquitetura de Veneza, que decorrerá até 21 de novembro deste ano.

Os arquitetos portugueses e a arquiteta e curadora angolana, uma das criadoras do projeto do Pavilhão de Angola da Bienal de Arte de Veneza 2013, vencedor do Leão de Ouro, estão entre os convidados do curador Hashim Sarkis, para participar na exposição coletiva do certame.

Para esta exposição da Bienal de Arquitetura de Veneza também foram convidados, do Brasil, os ateliers Marko Brajovic, de São Paulo, composto por Marko Brajovic e Bruno Bezerra, e Acasa Gringo Cardia Design, do Rio de Janeiro, Gringo Cardia, num projeto conjunto com AIKAX, Takumã Kuikuro, do Amazonas, e com People’s Palace Projects, de Paul Heritage, de Londres, Reino Unido.

Proveniente da Praia, Cabo Verde, o atelier Storia Na Lugar, composto por Patti Anahory e Cesar Schofield Cardoso, e na exposição “As One Planet”, nos Giardini, Pavilhão Central, estarão os ateliers do Brasil, Mabe Bethônico, de Belo Horizonte, e Spbr arquitetos, de São Paulo.

A Bienal de Arquitetura de Veneza abre portas com regras de segurança para conter a pandemia, e um programa expandido de exposições, publicações, encontros, espetáculos e transmissão da instalação dos pavilhões nacionais.

O Brasil irá participar nesta bienal com o projeto intitulado “Utopias e vida comum” no seu Pavilhão Nacional, com comissariado de José Olympio da Veiga Pereira (Fundação Bienal de São Paulo) e curadoria de Alexandre Brasil, André Luiz Prado, Bruno Santa Cecilia, Carlos Alberto Maciel, Henrique Penha e Paula Zasnicoff.

Aiano Bemfica, Cris Araújo, Edinho Vieira, Alexandre Delijaicov (Grupo de Pesquisa Metrópole Fluvial — Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo), Amir Admoni, Gustavo Minas, Joana França, Leonardo Finotti e Luiza Baldan completam a equipa do projeto expositivo do Brasil que ficará instalado nos Giardini, em Veneza.

O ator, ‘performer’ e bailarino angolano Gio Lourenço, radicado em Portugal, também vai participar no projeto do Pavilhão dos Países Baixos, a convite de uma das curadoras desta representação oficial.

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