Bienal de Veneza. Prémio carreira para Katharina Fritsch e Cecilia Vicuña

A cerimónia de entrega de prémios deste ano decorrerá no âmbito da inauguração da 59.ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, que decorre entre os dias 23 de abril e 27 de novembro, em Itália.

Os prémios de carreira deste ano foram recomendados pela curadora do evento, Cecilia Alemani, e aprovados pelo conselho de administração da bienal, presidido por Roberto Cicutto.

Num comunicado hoje divulgado, a bienal justificou a escolha de Katharina Fritsch por a sua contribuição para o campo da arte contemporânea, especialmente a escultura, ser “incomparável”.

“Ela cria obras figurativas que são simultaneamente hiper-realistas e fantasiosas: cópias de objetos, animais, e pessoas, fielmente reproduzidas em todos os detalhes, mas transformadas em aparições espantosas”, explica a curadora da exposição, assumindo que desde a primeira vez que viu uma obra da artista — “uma escultura inquietante” -, em 1999, nunca mais deixou de sentir “a mesma sensação de espanto e atração vertiginosa” perante cada novo trabalho seu.

Segundo Cecilia Alemani, Fritsch “altera frequentemente a escala dos seus objetos, encolhendo-os ou ampliando-os vastamente, e cobrindo-os com cores sólidas desorientadoras: parece que se está a olhar para monumentos de uma civilização alienígena, ou artefactos expostos num estranho museu pós-humano”.

Sobre Cecilia Vicuña, a curadora destacou tratar-se de uma artista e poeta, que tem “dedicado anos de esforço inestimável à preservação do trabalho de muitos escritores latino-americanos, traduzindo e editando antologias de poesia que de outra forma poderiam ter sido perdidas”.

“Nas artes visuais, o seu trabalho tem variado desde a pintura, até à performance, passando por assemblagens complexas. A sua linguagem artística é construída em torno de um profundo fascínio pelas tradições indígenas e epistemologias não ocidentais”, acrescentou.

Cecilia Vicuña é também uma ativista que há muito luta pelos direitos dos povos indígenas no Chile e no resto da América Latina.

“Durante décadas, Vicuña percorreu o seu próprio caminho, de forma obstinada, humilde e meticulosa, antecipando muitos debates ecológicos e feministas recentes e prevendo novas mitologias pessoais e coletivas. Muitas das suas instalações são feitas com objetos encontrados ou materiais raspados, tecidos em composições delicadas, em que o microscópio e o monumental parecem encontrar um equilíbrio frágil: uma arte precária que é ao mesmo tempo íntima e poderosa”, destacou a bienal.

Nascida em 1956, Katharina Fritsch vive e trabalha em Wuppertal e Düsseldorf, Alemanha.

Desde 1979 tem trabalhado em esculturas arrojadas e de diferentes escalas, as quais, segundo a artista, devem ser vistas como imagens tridimensionais.

Santos, ratos, modelos e planos arquitetónicos, conchas, cobras, guarda-chuvas, figuras humanas, e objetos da vida quotidiana são algumas das peças que povoam o mundo de Fritsch.

A partir de 1984, participou em diversas exposições de arte internacionais e teve mostras individuais em museus de toda a Europa e dos Estados Unidos, incluindo o Kunstmuseum Basel, o Museu de Arte Moderna de San Francisco, o Instituto de Arte de Chicago, a Tate Modern em Londres e o K21 em Dusseldorf.

Em 2009 a sua obra foi objeto de uma retrospetiva no Kunsthaus Zurich e no Deichtorhallen Hamburg.

Em 2013 criou “Hahn/Cock”, uma enorme escultura de um galo azul brilhante, para a Trafalgar Square de Londres, e em 2016 fez uma exposição colaborativa com Alexej Koschkarow, em Schaulager, Basileia.

Cecilia Vicuña, poetisa, artista, cineasta e ativista, nasceu em 1948 e vive e trabalha em Nova Iorque e Santiago, cidade onde nasceu e cresceu, antes de ser exilada, no início dos anos 1970, após o violento golpe militar contra o Presidente Salvador Allende.

Vicuña cunhou o termo “Arte Precário” em meados dos anos 1960 no Chile, pelas suas obras precárias, e no inicio dos anos 1970, as suas pinturas descolonizaram a arte dos conquistadores e dos “santos” herdados da Igreja Católica para criar imagens irreverentes dos heróis da revolução.

A sua obra encontra-se em numerosas coleções privadas e públicas, incluindo a Tate, em Londres, o Museu de Arte Moderna, Nova Iorque, o Guggenheim, o Museu Latino-americano de Buenos Aires ou o Museu de Belas Artes de Boston.

Cecília Vicuña é ainda autora de 27 volumes de arte e poesia publicados nos Estados Unidos, Europa, e América Latina.

A sua filmografia inclui documentários, animação, e poemas visuais.

O tema da Bienal de Veneza deste ano é “The milk of dreams”, em homenagem à artista surrealista britânica Leonora Carrington e aos desenhos que fez enquanto morava no México nos anos 1950.

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