Cabo Verde assume candidatura de escritos de Cabral à UNESCO

“Estamos a afinar o alinhamento para essa candidatura, após um primeiro momento com algum ruído, em que ficou esclarecido que não é só os custos, institucionalmente é responsabilidade do Ministério da Cultura fazer todo o processo”, garantiu o ministro.

Abraão Vicente falava, na cidade da Praia, após um encontro com Pedro Pires, presidente da Fundação Amílcar Cabral (FAC), para abordar, entre outros assuntos, a candidatura dos escritos do líder histórico da independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde ao programa “Memória do Mundo” da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

O titular da pasta da Cultura e das Indústrias Criativas sublinhou que a FAC fez um “trabalho benevolente e voluntário” de investigação, que agora vai servir de anexo e base de suporte ao preenchimento do formulário padrão de qualquer candidatura a património da humanidade.

Abraão Vicente disse que o Governo está a dar passos nesse sentido e que até maio já haverá uma resposta quanto ao financiamento e até junho ou julho a realização de um ‘workshop’ sobre a candidatura.

“Mas o objetivo aqui é ter um dossier com possibilidade de ser aceite e ser inscrito”, frisou o ministro, dando como exemplo a candidatura da morna, que foi falada durante muitos anos, mas nunca houve um dossier.

“A mesma coisa em relação aos escritos de Amílcar Cabral, se não fizermos um trabalho sistematizado, rigoroso, científico, corremos o risco de andar aqui anos e décadas a falar dessa possibilidade, esse sonho”, alertou.

Além dos escritos de Amílcar Cabral, o ministro deu conta de que Cabo Verde tem em processo a candidatura da cimboa (instrumento musical) em risco de extinção, que também pode ser candidata a património da humanidade, e está a ultimar a candidatura a património da humanidade da tabanca, bem como do campo de concentração do Tarrafal, embora suspenso.

Abraão Vicente informou ainda que já foi pedida uma consultoria à UNESCO no valor de 25 mil dólares (22,8 mil euros) para financiar a ida de uma equipa ao país, para formar a comissão nacional de memória do mundo, que é nova em Cabo Verde, no sentido de cumprir a sua missão não só em relação à candidatura dos escritos de Amílcar Cabral, mas também em relação a outros escritos que o país possa ter e que considera que tenha valor de património da humanidade.

Em declarações antes à imprensa, o presidente da FAC considerou que o processo da candidatura dos escritos à memória da UNESCO e as celebrações do centenário do nascimento de Cabral seria “muito mais completo” com a participação da Guiné-Bissau e Portugal.

Pedro Pires disse que o processo está “no bom caminho”, mas voltou a pedir o envolvimento do Estado de Cabo Verde, neste que é um dos desafios da FAC.

O programa foi estabelecido em 1992 com o objetivo de contribuir para a preservação do património documental mundial.

Além da candidatura dos escritos de Cabral ao programa “Memória do Mundo”, a fundação está a trabalhar nas comemorações do centenário do nascimento do seu patrono, cujo ponto alto vai ser em 12 de setembro de 2024.

A fundação, que tem como missão a preservação da obra e memória do seu patrono, criou em 2015 o espaço museológico Sala-Museu Amílcar Cabral, onde pretende dar a conhecer às gerações mais novas e aos turistas que visitam a cidade da Praia a história da luta de libertação liderada por Cabral.

Fundador do então Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que em Cabo Verde deu lugar ao Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), e líder dos movimentos independentistas nos dois países, Cabral foi assassinado em 20 de janeiro de 1973, em Conacri.

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