Casa da Música Jorge Peixinho abre portas no Montijo no dia 25 de Abril

No dia em que se celebram 49 anos da Revolução dos Cravos, a câmara inaugura o novo espaço cultural e museológico na Quinta das Nascentes, que passará a chamar-se Jardim das Nascentes e cuja programação cultural foi entregue, até final deste ano, através de assinatura de protocolo, à Companhia Mascarenhas-Martins.

O presidente da autarquia local, Nuno Canta, o responsável pela programação da Casa, Levi Martins, e o professor da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa Luís Jorge Gonçalves, que ficará encarregado da museografia do espaço, acompanharam hoje uma visita guiada à imprensa.

O Museu Jorge Peixinho ficará situado num edifício de dois pisos já existente no local, cujos primeiros registos concelhios remontam ao século XV, com o nome de Quinta das Assentas, entretanto recuperado pela autarquia.

Ao lado deste conjunto, foi construído um auditório de raiz, em estilo ‘black box’ com janelões que se podem abrir para o exterior, prolongando o espaço de espetáculos, disse à agência Lusa o presidente da autarquia do Montijo, Nuno Canta.

Depois de, em 2015, aquela propriedade ter revertido para o município, na conclusão de uma batalha judicial travada com os proprietários, e após ter sido considerada de “relevante valor patrimonial a nível local” pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), a Câmara do Montijo iniciou um projeto de recuperação do edifício e do jardim envolvente.

O investimento de 2,5 milhões de euros repartiu-se em um milhão para a recuperação do património e 1,5 milhões para a zona envolvente, e foi financiado “a 50-50” por cento pelo município e por verbas comunitárias do programa Portugal 2020, acrescentou à Lusa Nuno Canta.

A Casa da Música Jorge Peixinho é uma “grande mais-valia, em termos culturais e patrimoniais para o concelho” que fica assim capacitado “com um local de eleição para abrir um museu com o espólio deixado à autarquia por essa figura maior portuguesa, e natural do Montijo, da música contemporânea que foi o maestro e compositor Jorge Peixinho”, sublinhou o autarca.

Levi Martins, cofundador e diretor com Maria Mascarenhas, da Companhia Mascarenhas-Martins, mostrou-se surpreendido pelo coletivo ter sido escolhido para programar o espaço, congratulando-se, todavia, com a oportunidade para a companhia que não tinha espaço próprio e se apresentava no Cine-Teatro Joaquim de Almeida, nesta cidade.

A Casa da Música pretende “preservar e disseminar o repertório” de Jorge Peixinho, falecido em Lisboa, em 1995, aos 55 anos, disseram o autarca e o responsável pela programação do espaço.

O concerto de abertura conta assim com Grupo de Música Contemporânea de Lisboa (GMCL), criado, em 1970, pelo compositor, com Clotilde Rosa, António Oliveira e Silva, Carlos Franco e António Reis Gomes, aos quais se juntaram mais tarde José Lopes e Silva e outros instrumentistas e cantores portugueses.

O GMCL interpretará a peça “CDE”, escrita em 1970 pelo compositor, como “arma política de protesto contra a ditadura”.

CDE é a sigla da Comissão Democrática Eleitoral, formada por elementos da oposição democrática ao regime autoritário de Salazar e Caetano, que concorreu às eleições de 1969 para a antiga Assembleia Nacional.

O concerto de abertura contará ainda com outras composições de Jorge Peixinho, assim como de Clotilde Rosa e Christopher Bochmann.

A Casa da Música é inaugurada na manhã de 25 de Abril, estando o concerto marcado para as 17:30.

De dia 26 a 28, sempre às 21:30, a Companhia Mascarenhas-Martins vai apresentar “Interlúdio”, espectáculo que recupera o repertório musical original criado pela companhia para as suas criações artísticas.

A 30 de abril, às 16:30, a encerrar a semana de abertura da Casa da Música Jorge Peixinho, também com entrada livre, estará “Mão Verde”, um projeto de António Serginho, Capicua, Francisca Cortesão e Pedro Geraldes que, segundo Levi Martins, visa “provocar nos mais novos” pensamento sobre ecologia.

Para a programação da Casa da Música Jorge Peixinho, a Mascarenhas-Martins conta com o apoio Direção Geral das Artes, da Câmara Municipal do Montijo e da Junta de Freguesia da União das Freguesias do Montijo e Afonsoeiro.

O complexo está situado no Jardim das Nascentes, relativamente perto da Praça de Touros do Montijo, e fica próximo de uma nova avenida, a inaugurar também no dia 25 de Abril, batizada com o nome do cantor António Mourão, natural da freguesia da Atalaia, no concelho do Montijo.

No montante de 700 mil euros, a construção da avenida foi uma contrapartida exigida pela autarquia a uma grande superfície comercial que ali abrirá nos próximos dias, salientou Nuno Canta.

Nascido no Montijo em 20 de janeiro de 1940, Jorge Peixinho começou a estudar piano aos sete anos com uma tia, tendo ingressado no Conservatório Nacional de Lisboa em 1948, nas classes de piano e composição.

Em 1958, após terminar o curso superior de Piano e ter recebido o Prémio de Composição do Conservatório Nacional, Jorge Peixinho seguiu para Roma, Itália, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian a fim de se aperfeiçoar em composição musical.

Em 1959 recebeu o Prémio Sassetti de Composição e, em 1961, obteve o diploma de estudos avançados em composição, regressando depois a Lisboa.

Com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian organizou cursos de Introdução à Música Contemporâna, tendo, em 1964, sido responsável pela publicação do primeiro caderno de poesia experimental, fruto da sua associação com figuras da cultura desta época, que incluem Herberto Helder, Ana Hatherly, António Ramos Rosa, António Aragão, Arnaldo Saraiva e E.M. de Melo e Castro. Entre 1965 e 1966 lecionou no Conservatório do Porto.

A programação da Casa da Música Jorge Peixinho está disponível em https://www.instagram.com/casadamusicajorgepeixinho/ e

https://www.facebook.com/casadamusicajorgepeixinho.

 

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